A Azzurra coleciona vexames e a pergunta que fica é: a culpa é só da Itália?
Pela terceira vez seguida, a Itália, uma das maiores potências do futebol mundial, está fora da Copa do Mundo. O choque de 2018 e a esperança frustrada de 2022 deixam um sentimento de amargura, especialmente para os jovens que nunca viram a Azzurra em ação no maior palco do futebol. Um amigo italiano resumiu o sentimento: “Acho que merecemos”.
A ausência na Copa do Mundo se tornou uma dolorosa realidade para a Itália. Após o título em 2006, a seleção vive um jejum que se estende por três edições do torneio. Essa repetida exclusão levanta questionamentos sobre os rumos do futebol italiano e as causas por trás desse declínio.
Embora existam debates sobre a perda de identidade nacional, a diminuição de investimentos na base e a dificuldade dos clubes em gerar receita com estádios ultrapassados, a origem do problema parece residir em falhas de gestão e na **falta de autocrítica**, conforme apontado por figuras importantes do futebol italiano. A informação é de um amigo italiano que acompanha de perto o esporte.
Um passado glorioso, um presente de frustrações
A memória de Fabio Cannavaro erguendo a taça em 2006 parece cada vez mais distante. Em 2010 e 2014, a Itália sequer passou da fase de grupos. E agora, em 2022 e 2026, a participação no Mundial se tornou um sonho distante. A derrota para a Bósnia nos playoffs da Copa do Mundo selou mais um capítulo de decepção.
Investimentos falhos e projetos engavetados
Após o fiasco de 2010, Arrigo Sacchi, ex-treinador da seleção, e Roberto Baggio, craque da geração de 90, tentaram implementar reformas. Sacchi pressionou por investimento na base, enquanto Baggio elaborou um documento de 900 páginas com propostas de desenvolvimento de talentos. Contudo, os projetos foram abandonados, descritos como “literalmente mortos” por um amigo italiano. Sacchi pediu demissão em 2014, lamentando a falta de autocrítica no futebol italiano.
A política e a Federação: o cerne do problema
A **política interna da Federação Italiana de Futebol** é apontada como um dos maiores entraves. A persistência de dirigentes em seus cargos, mesmo após fracassos repetidos, impede a renovação e a implementação de mudanças necessárias. Um amigo italiano ressalta que “o escândalo é político. A federação continua igual, não aprende com os erros”. A saída do presidente Gabriele Gravina após a derrota para a Bósnia, após dias de hesitação, ilustra a dificuldade em promover mudanças efetivas.
Sem identidade, sem orgulho, sem Copa
Um outro amigo italiano, que ama futebol e entende do assunto, nem acompanhou a partida contra a Bósnia, tamanha sua falta de esperança. Ele aponta para uma “perda de identidade nacional”, onde a ausência em três Copas (12 anos) torna a vitória na Eurocopa de 2021 um “milagre”. A falta de figuras icônicas como Valentino Rossi ou uma Ferrari vencedora contribui para a diminuição do orgulho nacional, um fator crucial para o sucesso esportivo.
O futuro incerto e a necessidade de reforma
A Itália enfrenta um cenário desafiador. A necessidade de uma reforma geral no futebol italiano é inegável. As más decisões na gestão e nas Eliminatórias, culminando em uma classificação para um Mundial com 48 seleções, demonstram a urgência de uma mudança. O pedido de autocrítica feito por Sacchi há mais de uma década continua mais relevante do que nunca para que a Azzurra retome seu lugar de direito entre as grandes potências do futebol mundial.