Jair Bolsonaro em novo procedimento para tratar soluços persistentes
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um novo procedimento médico no Hospital DF Star, em Brasília, para controlar uma crise de soluços que o tem afetado intensamente. Após uma forte crise na semana passada, o político já passou por um bloqueio do nervo frênico direito e uma nova intervenção no lado esquerdo está prevista para esta segunda-feira, 29 de janeiro.
A decisão de realizar o bloqueio do nervo frênico foi tomada após o uso de doses elevadas de medicamentos não surtirem o efeito desejado. Segundo a equipe médica, o quadro de soluços vinha se repetindo diariamente há meses, necessitando de uma abordagem mais direta para alívio do ex-presidente.
Este procedimento, embora intervenção médica, não é considerado cirúrgico. Ele visa interromper temporariamente os impulsos nervosos que causam as contrações involuntárias do diafragma, músculo essencial para a respiração e responsável pelos soluços. Entenda os detalhes e os cuidados tomados pela equipe de saúde.
O que é o nervo frênico e como ele se relaciona com os soluços
O corpo humano possui dois nervos frênicos, um em cada lado, que se originam na região cervical e se estendem até o diafragma. Este músculo é o principal responsável pelo controle da respiração, e os soluços ocorrem devido a contrações involuntárias e repetidas dele, que levam ao fechamento da glote, gerando o som característico.
Quando os soluços se tornam persistentes e não respondem ao tratamento medicamentoso convencional, o bloqueio do nervo frênico surge como uma opção. A técnica consiste na aplicação local de anestésicos e, em alguns casos, outras medicações, como corticoides, para prolongar o efeito e interromper os sinais nervosos anormais.
Como é realizado o bloqueio do nervo frênico e quais os riscos
O procedimento é realizado com o paciente sedado. Utilizando ultrassom para localizar o nervo, uma punção é feita para a aplicação do anestésico e do corticoide. A intervenção é feita em duas etapas, no lado direito e depois no esquerdo, para minimizar riscos e garantir a segurança do paciente.
A equipe médica monitora de perto a frequência cardíaca e o nível de oxigenação do sangue durante e após o procedimento, dada a ligação direta do diafragma com a respiração. O radiologista intervencionista Mateus Saldanha explicou que a falta de ar pode ser um efeito colateral, assim como o aumento da pressão abdominal. Há também o risco, embora temporário, de a medicação afetar o plexo braquial, impactando os movimentos dos braços e mãos.
Previsão de alta e retorno de Bolsonaro
A data de alta hospitalar de Jair Bolsonaro ainda depende de sua evolução clínica após a completa realização do procedimento. A expectativa, segundo o cirurgião Claudio Birolini, é que ele permaneça em observação por pelo menos 48 horas após o bloqueio do nervo frênico esquerdo.
Caso a recuperação ocorra conforme o esperado, a previsão é que o ex-presidente receba alta hospitalar na quarta-feira, 31 de janeiro. Após deixar o hospital, ele deve retornar à carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde cumpre pena.
É importante notar que Bolsonaro tem passado por acompanhamento médico frequente desde a facada sofrida em 2018. Em abril do ano passado, ele já havia sido submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal que durou cerca de 12 horas.