Conselho Deliberativo do São Paulo vota impeachment de Julio Casares em meio a suspeitas de desvios financeiros
O futuro de Julio Casares na presidência do São Paulo está em jogo. O Conselho Deliberativo do clube se reunirá nesta sexta-feira (16), a partir das 18h30, para votar o pedido de impeachment do dirigente. A sessão, que será híbrida, com participação presencial e online, promete ser um divisor de águas para a gestão Tricolor.
A decisão judicial que permitiu a participação online na votação foi vista como uma vitória pela oposição, que temia um esvaziamento da sessão, especialmente durante o período de férias. A expectativa é de um número expressivo de votos contra Casares.
O clima é de tensão e expectativa no Morumbi, com investigações policiais em andamento sobre movimentações financeiras suspeitas. Acompanhe os desdobramentos desta votação que pode mudar os rumos do São Paulo.
Votação híbrida e quórum exigido para o impeachment
A sessão de votação do impeachment de Julio Casares ocorrerá de forma híbrida, conforme decisão liminar da Justiça. A juíza Luciane Cristina Silva Tavares determinou que a votação seja secreta e permita participação online, entendendo que o estatuto do clube prevê reuniões semipresenciais. O São Paulo tentou reverter a decisão, mas o recurso foi negado pelo TJ-SP.
Para que o impeachment seja aprovado, são necessários dois terços dos votos dos 254 conselheiros aptos, o que equivale a 171 votos. Além disso, é preciso um quórum mínimo de 75% dos conselheiros presentes ou votantes, ou seja, 191 participantes, para que a decisão seja validada. A oposição acredita ter o número de votos suficientes para afastar Casares.
Oposição ganha força com debandada de grupos de apoio
A oposição a Julio Casares ganhou um impulso significativo nos últimos dias com a saída de quatro dos seis grupos que formavam a base de apoio do presidente. Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação, este último a chapa do próprio Casares, deixaram a gestão, indicando uma forte insatisfação.
Integrantes desses grupos estimam reunir 128 votos favoráveis ao afastamento de Casares. Somados aos votos da oposição, o número ultrapassaria os 182 conselheiros inclinados a apoiar o impeachment, superando com folga os 171 votos necessários.
Vice-presidente entre os opositores e apoio reduzido de Casares
Um dos nomes mais fortes a declarar voto pelo impeachment é Harry Massis Junior, atual vice-presidente do São Paulo e que assumiria o cargo em caso de afastamento de Casares. Conselheiro vitalício e sócio do clube desde 1964, Massis é um nome influente dentro da agremiação.
Com o próprio vice como adversário político, Julio Casares conta atualmente com o apoio dos grupos Força São Paulo e Movimento São Paulo, que juntos somam 67 conselheiros. Caso todos votem pela permanência, o número de votos favoráveis ao impeachment ficaria em 187, ainda acima do mínimo necessário para a aprovação.
Suspeitas de desvios e investigações em sigilo
A corrente a favor do afastamento de Casares ganhou força diante do avanço das investigações da Polícia Civil sobre o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, além de 35 saques totalizando R$ 11 milhões em contas do São Paulo. As apurações tramitam em segredo de Justiça no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
Os advogados de Casares, Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirmam que as movimentações financeiras têm origem lícita e compatível com a capacidade financeira do dirigente. Eles ressaltam que Casares ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada antes de assumir a presidência do clube, com remunerações elevadas, e que a origem dos recursos será devidamente esclarecida com a apresentação de documentos e declarações fiscais.
Este não é o primeiro desgaste de Casares. No fim do ano passado, áudios que indicavam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos para shows no Morumbi já haviam gerado polêmica. Recentemente, o conselho consultivo do clube deu parecer contrário ao impeachment, mas as novas investigações financeiras abalaram o apoio ao presidente.
Possíveis desdobramentos após a votação
Caso o impeachment seja aprovado pelos conselheiros, Julio Casares será imediatamente afastado. No entanto, uma assembleia geral de sócios ainda precisará ser convocada em até 30 dias para ratificar ou rejeitar a decisão. Nessa assembleia, a aprovação se dará por maioria simples entre os cerca de 50 mil sócios do clube, o que adiciona mais uma etapa de incerteza ao processo.