Ler ficção faz bem para o cérebro, diz estudo da Maximilian University of Würzburg, entenda como romances aumentam empatia, memória, criatividade e reduzem estresse

Ler ficção faz bem para o cérebro, estudos apontam benefícios na empatia, memória, atenção, criatividade e redução do estresse, saiba como incluir romances na rotina

Ler ficção transporta o leitor para outros lugares, épocas e perspectivas, e por isso exercita a imaginação e a criatividade.

Além do prazer, a leitura de ficção exige uma participação ativa do cérebro, que constrói cenários, interpreta intenções e antecipa desfechos, fortalecendo memória e atenção.

Esses efeitos não são apenas impressionistas, eles aparecem em estudos e em dados sobre hábitos de leitura, conforme informações de pesquisadores da Maximilian University of Würzburg, de estudo publicado na revista Science em 2013, e da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Como a ficção amplia empatia e entendimento do outro

Ao acompanhar personagens complexos, quem lê ficção desenvolve a capacidade de reconhecer estados mentais, emoções e motivações distintas, o que melhora a empatia.

Pesquisa recente conduzida por pesquisadores da Maximilian University of Würzburg, na Alemanha, confirmou que a ficção tem impacto positivo na empatia e na compreensão do pensamento alheio, e apontou que ler é mais benéfico do que assistir às mesmas histórias na tela.

Um estudo publicado em 2013 na revista Science também mostra que ler ficção aumenta a capacidade de compreender que outras pessoas podem ter crenças, valores e ideias diferentes das nossas, fortalecendo o entendimento social.

Por que ler ficção exige mais do cérebro, melhorando memória e atenção

Diferente de estímulos audiovisuais, o texto exige construção mental de cenários e personagens, o que ativa redes neurais ligadas à memória, à concentração e ao raciocínio verbal.

Ao resolver conflitos narrativos e antecipar desfechos, o leitor treina pensamento crítico e habilidades de resolução de problemas, ampliando repertório simbólico e capacidade de interpretação do mundo.

Como observa o tradutor e ensaísta Caetano Galindo, ‘Temos o luxo de frequentar esse espaço em que a gente só quer segurar a mão de pessoas que não existem ou conversar com alguém que pode ter morrido há séculos, e isso é absurdamente poderoso’, frase dita em conversa mediada pelo The Summer Hunter na 23ª edição da Flip.

Ficção como ferramenta para reduzir estresse e preservar funções cognitivas

Ler histórias é também um método eficaz de relaxamento, porque desacelera o ritmo mental e cria pausas em meio à rotina acelerada, diminuindo ansiedade e promovendo equilíbrio.

No longo prazo, manter o cérebro ativo por meio da leitura pode contribuir para a chamada longevidade cognitiva, retardando o declínio de funções mentais com o avanço da idade.

Além disso, a ficção oferece lentes novas para compreender comportamentos, relações sociais e estruturas culturais, o que aprofunda a compreensão da sociedade e de nós mesmos.

Por que estamos lendo menos e como voltar a ler ficção

Apesar dos benefícios, o hábito de leitura no Brasil recuou, e a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostra números claros: a média anual de livros lidos pelos brasileiros diminuiu de 4,95 em 2019 para 3,96 em 2024.

A pesquisa aponta ainda que Apenas 47% da população com mais de cinco anos de idade havia lido pelo menos parte de um livro nos três meses anteriores ao estudo, e que 46% dos brasileiros responderam “falta de tempo” como motivo para ler menos.

A boa notícia é que a ficção pode ser um caminho simples para retomar o hábito, porque a curiosidade pela história e a conexão com os personagens ajudam a manter o ritmo de leitura.

Uma estratégia prática é começar com metas pequenas, por exemplo, lendo em torno de oito a dez páginas por dia, já dá para terminar um ou até mais livros por mês.

Com textos curtos, capítulos envolventes e diversidade de gêneros, é possível reaprender a ler ficção e colher benefícios que vão da criatividade à saúde mental.

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