Lula critica postura de Trump e defende o fim da ameaça a países soberanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou forte desaprovação à política externa dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump. Em entrevista concedida ao jornal espanhol El País, Lula declarou que o ex-presidente americano “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, referindo-se a tensões com nações como Irã, Cuba e Venezuela.
Lula destacou o compromisso do Brasil com o desarmamento nuclear, conforme estabelecido em sua Constituição de 1988. Ele contrapôs essa posição ao fato de que outras potências nucleares, como Estados Unidos, Rússia, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte, não seguiram o mesmo caminho.
O presidente brasileiro enfatizou sua prioridade em investir em áreas sociais, como educação e geração de emprego, em detrimento do desenvolvimento de armamentos. “Estamos quase desprotegidos, mas não quero investir em armas, quero investir em livros, alimentação, emprego”, afirmou Lula, ressaltando o desejo de um mundo mais pacífico e focado no bem-estar humano.
Apelo por diálogo e reforma na ONU
Em sua conversa com o El País, Lula revelou ter contatado líderes globais, incluindo Xi Jinping (China), o primeiro-ministro indiano, Vladimir Putin (Rússia) e Emmanuel Macron (França), buscando um encontro para discutir a paz mundial. Ele reiterou que a autoridade para ameaçar nações não é concedida a nenhum líder, nem mesmo pela Constituição americana ou pela Carta da ONU.
O presidente brasileiro defendeu uma **redefinição das Nações Unidas** para restaurar sua credibilidade. Segundo ele, a falha das instituições internacionais em cumprir seus propósitos reside na conduta dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que deveriam dar o exemplo. Lula reforçou o princípio de que “nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país” ou de desrespeitar sua soberania.
Cenário eleitoral e combate à desinformação
Na mesma entrevista, Lula abordou as pesquisas eleitorais que indicam um cenário competitivo para as próximas eleições presidenciais. Ele expressou confiança de que o “bolsonarismo não voltará a governar” o Brasil, apesar de reconhecer a força crescente da extrema-direita.
O presidente alertou sobre o uso de discursos falsos e negacionistas, potencializados pelas redes digitais e pela inteligência artificial, como ferramentas para disseminar desinformação e ganhar apoio político. Lula lembrou que nunca venceu uma eleição no primeiro turno, mas demonstrou otimismo quanto ao futuro político do país.