O Fenômeno das Maratonas Majors Ganha Força no Brasil
O cenário das corridas de rua no Brasil está em ebulição, e um fenômeno particular chama a atenção: o crescente interesse em participar das chamadas “maratonas majors”. Estas são as seis provas de longa distância mais prestigiadas do mundo, que atraem corredores amadores de todos os cantos em busca de um desafio e de um reconhecimento único.
Dados recentes revelam um aumento expressivo na participação brasileira em eventos como a maratona de Nova York, onde 918 brasileiros concluíram a prova em novembro passado, um crescimento de 28% em relação ao ano anterior. Em Berlim, a presença de 1.732 brasileiros em 2025 superou a de corredores de países como França e Itália, demonstrando a força do país no cenário internacional.
A jornada rumo a essas provas icônicas, no entanto, vai além da performance, envolvendo planejamento, sorte e, muitas vezes, um investimento considerável. Conforme informações divulgadas, a busca por completar as majors se tornou um “fetiche tardio” para muitos, um objetivo a ser alcançado na vida de um corredor amador.
As Sete “Majors” e o Caminho para o Reconhecimento Global
Atualmente, o seleto grupo das maratonas majors é composto por sete provas: Nova York, Berlim, Boston, Londres, Chicago e, mais recentemente, Sydney. A expectativa é que o número de provas chanceladas pela Abbott, empresa de saúde que patrocina essas competições, aumente ainda mais com a possível inclusão de Xangai e Cidade do Cabo no futuro próximo.
Participar dessas provas, além do desafio pessoal, oferece a oportunidade de acumular pontos para um ranking oficial. Os corredores com as melhores posições em suas faixas etárias são convidados a disputar uma “finalíssima” mundial, que em 2025 acontecerá em Tóquio, atraindo ao menos 2.000 participantes por essa via.
O engajamento nesse universo é tão intenso que se assemelha a um “clube” onde entrar é relativamente fácil, mas sair se torna um desafio, como descreve a fonte. Um exemplo notável é Anamélia Tannus, de Uberlândia, que se prepara para sua ducentésima maratona e figura entre as três melhores brasileiras em sua faixa etária, dos 65 aos 69 anos, com seu melhor tempo registrado em Valência, Espanha.
A “Mandala”: O Símbolo Máximo do Maratonista Amador
Para além da performance e do ranking, existe um símbolo de distinção cobiçado por todos os maratonistas amadores: a “mandala”. Este troféu é concedido a quem completa todas as majors, representando um feito extraordinário e um marco na carreira de qualquer corredor.
O médico Drauzio Varella, aos 79 anos, foi a pessoa mais velha a receber a mandala em Londres, em 2022, um momento que, segundo ele, marcou sua primeira consciência sobre o impacto da idade. A conquista da mandala é, portanto, um testemunho de perseverança e dedicação.
Desafios e Alternativas para Conquistar uma Major
Conseguir uma vaga em uma maratona major não é tarefa simples. Além do alto custo, a inscrição depende de sorteios, onde, por exemplo, em Nova York, apenas 1% dos candidatos são contemplados. Uma alternativa é a via da benemerência, que permite a inscrição mediante doações, mas com custos que podem ultrapassar os US$ 3.000 em provas como a de Nova York.
Para aqueles que ainda não alcançaram o nível de disputar uma major, mas desejam vivenciar a atmosfera de uma grande corrida, eventos como a corrida de celebração dos 105 anos da Folha oferecem circuitos em locais icônicos de São Paulo. A experiência de correr pelo centro histórico, com o icônico Edifício Altino Arantes ao fundo, pode ser um primeiro passo para saciar o desejo de correr em cenários memoráveis.