O Master foi liquidado após uma sequência de falhas financeiras e irregularidades que tornaram o banco incapaz de honrar seus compromissos, segundo o próprio Banco Central.
O colapso decorreu de ativos com pouca liquidez ou fictícios, CDBs com juros elevados, e saídas de recursos maiores do que as entradas, situação que se agravou em 2024 e 2025.
Conforme informação divulgada pelo Banco Central em esclarecimentos ao TCU em 18 de dezembro de 2025, a instituição apontou, entre outros pontos, problemas em recolhimentos compulsórios e operações com indícios de ilícitos.
Por que o Master já era um zumbi desde 2024
O banco tinha ativos que não geravam fluxos suficientes ou que dificilmente poderiam ser vendidos a preço justo, enquanto no passivo carregava CDBs que pagavam juros elevados, o que pressionou o caixa.
A partir de novembro de 2024, o Master passou a ter dificuldade para rolar CDBs que venciam, e não entrava dinheiro suficiente para cobrir saídas. O Banco Central registrou “diversos episódios de recolhimento insuficiente de depósitos compulsórios”.
Com isso, o banco deixou de conceder empréstimos, parou de vender créditos e buscou recursos que não vieram na escala necessária, transformando-se num verdadeiro **zumbi financeiro**.
O que o Banco Central registrou ao TCU
Em esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União, o BC afirmou que o Master sofreu uma “profunda e crônica crise de liquidez“, que comprometeu a “capacidade para satisfazer seus compromissos“.
O BC também apontou “grave e reiterado descumprimento de normas“, em “particular quanto à manutenção dos níveis regulamentares de recolhimentos compulsórios“, e a “prática de ilícitos graves no âmbito de operações de cessão de ativos a terceiros“.
Essas constatações embasaram a decisão de liquidar o banco, diante da ausência de trajetória convincente de recuperação e do risco sistêmico envolvido.
Vendas de ativos, apoio do FGC e números que não fechavam
Para tentar levantar caixa, a direção do banco fez várias vendas e operações, mas os recursos não foram suficientes. Entre as operações anunciadas, a KOVR foi vendida por R$ 418 milhões, parte de bens foi repassada ao BTG por R$ 954 milhões, e o fundo Itaminas foi vendido por R$ 401 milhões.
Além disso, o Master captou R$ 90,2 MILHÕES em operações garantidas pelo FGC entre maio e setembro, e recebeu R$ 4,3 BILHÕES do FGC como suporte, segundo os dados do BC.
Mesmo assim, a conta não fechava, e o conglomerado deixou de recolher cerca de R$ 500 milhões em compulsórios em abril de 2025, e em agosto acumulava uma dívida de R$ 2,5 bilhões em compulsórios, conforme relatado pelo Banco Central.
Política, lobbies e o questionamento no TCU
O caso ganhou dimensão política, com suspeitas sobre ligações de Daniel Vorcaro e do próprio Master, além de intensa atuação de lobbies e guerra digital em defesa do banco.
Um ministro do TCU, Jonathan de Jesus, requereu informações e questionou a atuação do BC, alimentando hipóteses sobre reverter a intervenção ou reconhecer pedidos do banco, cenário que poderia levar a indenizações.
Depois de reações de grupos pró-Master e de vazamentos com indícios de crimes, a ofensiva foi contida, mas o núcleo da história permanece, que é a fragilidade financeira e as irregularidades que tornaram o banco insolvente.
O episódio mostra que, apesar da retórica, fofocas e pressão política, é importante lembrar o ponto central da crise, que é a condição prévia do banco, que já era, na prática, um **banco sem liquidez desde 2024**, com ativos de pouca ou nenhuma liquidez e práticas que inflaram artificialmente seu capital.