A participação de Juliano Floss no reality show “BBB26” tem gerado muita conversa, e não apenas sobre o jogo. Comentários de outros participantes sobre um suposto mau hálito frequente do brother trouxeram o tema à tona, atraindo a atenção de especialistas.
A dentista Miriam Alhanati, especialista em Reabilitação Oral e membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), trouxe esclarecimentos importantes sobre o problema. Ela destacou que o constrangimento ainda impede muitas pessoas de buscarem ajuda profissional, levando-as a procurar especialistas errados.
“Ainda é um grande tabu. Muitos deixam de procurar tratamento por vergonha em se expor ou procuram o especialista errado, como gastro ou otorrino, e menos de 2% tem relação com o estômago”, explicou a dentista. A especialista enfatiza que a maioria dos casos tem origem bucal, e a falta de um diagnóstico correto pode levar à desistência do tratamento. Conforme informação divulgada pela especialista, cerca de 90% dos casos de mau hálito começam na cavidade oral.
Principais Causas Bucais e a Importância do Diagnóstico Correto
Miriam Alhanati aponta que as causas mais comuns de mau hálito estão na boca. Isso inclui inflamação na gengiva, como a gengivite, que pode evoluir para periodontite com perda óssea. Outros fatores incluem alterações no padrão salivar, a presença de saburra na língua – aquela camada amarelada ou esbranquiçada – e os cáseos, pequenas bolinhas que podem se acumular nas amígdalas.
Próteses e lentes de contato dentais mal adaptadas, assim como os dentes sisos, podem contribuir para o acúmulo de alimentos, o que altera o hálito. A rotina de higiene bucal, incluindo a frequência e os produtos utilizados na escovação, também são cruciais. Hábitos alimentares e períodos de jejum também podem influenciar significativamente a qualidade do hálito.
A saburra lingual, um dos principais vilões, é um grande agregado bacteriano formado por células mortas, descamadas e micropartículas de alimentos. Ela explicou que a deficiência salivar diminui a limpeza natural da boca, favorecendo sua formação. Medicamentos para ansiedade e depressão, além do consumo de álcool e cigarro ou vape, também contribuem para esse acúmulo.
Mau Hálito Crônico: O Caso de Juliano e a Insuficiência da Escovação
Ao analisar o caso de Juliano Floss no reality, a dentista sugere que a recorrência dos comentários pode indicar um quadro de mau hálito crônico. “No caso do participante Juliano Floss é notório que os colegas sentem e se incomodam com o hálito forte com frequência, horários diferentes ao longo do dia e dias seguidos. Nesse quadro já podemos pressupor um mau hálito crônico”, avaliou. Ela ressalta que o mau hálito pontual, como o matinal, é comum, mas não deve persistir em pessoas com boa saúde bucal.
Miriam Alhanati enfatiza que apenas escovar os dentes não é suficiente para resolver o problema. “Só escovar os dentes não é suficiente. Se fosse assim, ninguém teria mau hálito ou outras questões bucais”, afirmou. A especialista destaca a importância de uma mudança de mentalidade, focando na prevenção e em consultas regulares com o dentista para orientações sobre limpezas profissionais e cuidados em casa.
O cuidado completo deve incluir o uso do fio dental, a limpeza da língua, acompanhamento profissional e atenção aos hábitos diários. A busca por auto-tratamento sem orientação profissional pode não resolver a causa raiz do problema.
Enxaguantes Bucais e Dieta: Fatores que Podem Piorar o Hálito
O uso indiscriminado de enxaguantes bucais é outro ponto de alerta. A dentista explica que eles podem mascarar o problema momentaneamente, mas também podem piorar a sensação ou o próprio hálito, além de alterar o paladar e manchar os dentes. “Existe uma indústria cosmética grande em querer vender produtos para o mau hálito, mas infelizmente isso atrapalha apenas quem tem o problema, com a autoestima e insegurança e problemas de convívio social”, disse.
A dieta e o estilo de vida também têm um impacto direto no hálito. Café, derivados do leite e dietas ricas em proteína podem favorecer alterações. “Jejum e dietas hiperproteicas podem piorar o mau hálito. São processos fisiológicos diferentes. O jejum pela cetose e queima de gordura e as dietas pela afinidade do perfil bacteriano às proteínas”, explicou. Contudo, ela ressalta que nem todos que seguem essas dietas terão mau hálito, mas se houver uma doença bucal associada, o problema pode se agravar.
Tratamento Profissional é Essencial e o Respeito ao Abordar o Tema
Miriam Alhanati reforça que soluções caseiras sem orientação profissional não são eficazes. “Quando falamos de saúde, nenhum tratamento caseiro é eficaz sem o profissional por trás”, destacou. Ela enfatiza que é fundamental que o paciente seja avaliado, investigado e diagnosticado por um profissional qualificado.
Diante da exposição no reality, a dentista alerta para a forma como o tema deve ser abordado. Em vez de brincadeiras que aumentam o constrangimento, o ideal é falar com respeito. “No programa muitos participantes brincam de sentir o ‘bafo’ ‘pum pela boca’ mas isso apenas aumenta o constrangimento e insegurança. Deve se falar com respeito ‘olha eu tenho sentido um hálito forte constantemente, você sabia que tem tratamento com o dentista?'”, sugeriu.
O tratamento para mau hálito exige acompanhamento contínuo e individualizado, levando em conta o histórico e os hábitos de cada paciente. A busca por ajuda especializada é o caminho mais seguro e eficaz para resolver o problema e recuperar a confiança.