Martin Wolf, comentarista-chefe de economia do Financial Times, reuniu uma lista dos melhores livros de economia de 2025, cobrindo história, política, finanças e tecnologia.
A seleção traz autores que vão de historiadores feministas a economistas monetaristas, passando por especialistas em geopolítica econômica, desenvolvimento e clima.
Nos parágrafos a seguir, veja resumos das obras e citações destacadas, conforme informação divulgada pelo Financial Times.
Temas centrais da seleção
Os melhores livros de economia de 2025 apontam para três preocupações centrais, segundo a curadoria de Martin Wolf, crescimento e inovação, poder geopolítico e inclusão econômica.
Algumas obras reavaliam o passado econômico, outras propõem reformas práticas para finanças pessoais, e outras analisas as tensões globais entre potências, comércio e segurança.
Livros e principais ideias
Economica, por Victoria Bateman, reposiciona a história econômica destacando o papel central das mulheres, e alerta que, como escreve Bateman, “algumas das sociedades mais desiguais hoje são aquelas em que as mulheres já foram relativamente iguais, o que significa que oportunidades iguais jamais podem ser tomadas como garantidas“.
Eclipsing the West, por Vince Cable, examina cenários para as relações entre Ocidente, China e Índia, oferecendo alternativas que vão de um bloco democrático contra autocracias, a um mundo multipolar, ou a uma ordem multilateral reformada.
Fixed, por John Y. Campbell e Tarun Ramadorai, aponta que “os problemas do sistema financeiro atual podem ser resumidos em complexidade e custo“, e propõe princípios para um sistema simples, barato, seguro e fácil, incluindo um “kit inicial” para iniciantes.
Money and Inflation at the Time of Covid, por Tim Congdon, defende que “o dinheiro continua a importar“, e que o foco deve ser no “dinheiro amplo“, ou seja, “o dinheiro em mãos do público”, argumento que Wolf destaca como premonitório sobre a inflação pós-Covid.
Why Nothing Works, por Marc J. Dunkelman, identifica excesso de freios e contrapesos e desconfiança ao poder como causas da perda de capacidade de construir, e cita que “Exaltar o governo e depois garantir que ele fracasse é, no fim das contas, uma das piores estratégias políticas possíveis“.
Violent Saviours, por William Easterly, reafirma a defesa da agência humana contra coerção, relacionando colonialismo, controle coercitivo e as limitações de intervenções que não respeitam liberdade comercial e trocas voluntárias.
How Progress Ends, por Carl Benedikt Frey, analisa o impacto da inteligência artificial e diz que inovação exige romper regras, enquanto execução depende de segui-las, criando um dilema para o futuro do crescimento.
The World at Economic War, por Rebecca Harding, descreve uma era de competição econômica estratégica, lembrando que atores como China e Estados Unidos podem usar “armamentos econômicos”, e que eventos como as guerras comerciais de 2025 mostram esse novo cenário.
A Sixth of Humanity, por Devesh Kapur e Arvind Subramanian, conta a odisseia do desenvolvimento da Índia independente, avaliando conquistas e limitações de transformar uma nação em democracia com desenvolvimento econômico sob sufrágio universal.
Abundance, por Ezra Klein e Derek Thompson, defende uma política da abundância, em oposição a uma política da escassez, propondo que governos incentivem a realização de coisas positivas, desde crescimento a inovação social.
Can Europe Survive?, por David Marsh, enumera quatro desafios centrais para a Europa, energia, defesa, indústria e dinheiro, e defende parceria estreita entre União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos para prosperar.
The Great Global Transformation, por Branko Milanovic, oferece uma leitura marxista do presente, argumentando que nacionalismo, ganância e propriedade moldam o que ele chama de “liberalismo de mercado nacional”.
1929, por Andrew Ross Sorkin, reconta o Grande Crash com narrativa viva e lição histórica, perguntando se o colapso poderia ter sido evitado e concluindo que, para tanto, “A resposta curta é sim… [Mas] a resposta longa é que teria sido necessária quase uma presciência divina“.
The Fractured Age, por Neil Shearing, vê a globalização em refluxo e prevê décadas marcadas por rivalidade entre superpotências, em especial pelo fraturamento das relações entre EUA e China.
The Growth Story of the 21st Century, por Nicholas Stern, atualiza sua análise sobre economia do clima, mostrando que revoluções tecnológicas tornaram energia limpa mais viável, e que o perigo seria desperdiçar essa oportunidade.
Breakneck, por Dan Wang, compara duas elites, americana e chinesa, e descreve uma competição que definirá o século 21, observando que os EUA correm o risco de imitar repressões sem alcançar eficiência construtiva.
Citações e lições para leitores
As citações destacadas por Wolf fornecem um guia prático sobre onde buscar respostas para questões atuais, seja em políticas públicas, finanças pessoais ou estratégias industriais e geopolíticas.
Se busca entender inclusão econômica, vá a Bateman, se quer ferramentas práticas de finanças, leia Campbell e Ramadorai, se quer alerta monetário, consulte Congdon, e se precisa de panorama geopolítico e tecnológico, leia Wang, Frey e Harding.
Como escolher seu próximo livro
Para optar entre os melhores livros de economia de 2025, identifique primeiro sua prioridade, história e desigualdade, políticas públicas, finanças pessoais, inflação, tecnologia ou segurança econômica.
Depois, selecione títulos que entreguem lições aplicáveis, trechos críticos e recomendações práticas, e considere começar por obras mais curtas e orientadas para ação, como Fixed, ou por relatos longos e analíticos, como 1929, conforme seu objetivo de leitura.