Migração venezuelana, esperança em meio à incerteza após prisão de Nicolás Maduro, diz fundador da ONG Casa Venezuela e avalia impactos no Brasil

Há um misto de alegria e cautela entre venezuelanos após a captura e prisão do presidente Nicolás Maduro, segundo Fernando Morey Perez, 31 anos, cofundador da ONG Casa Venezuela.

Perez diz que a esperança é maior do que o medo do que poderá acontecer, mas alerta que a situação segue com muitas incertezas, especialmente no campo econômico e jurídico.

Conforme informações fornecidas por Fernando Morey Perez e pela ONG Casa Venezuela, a percepção pública é de possibilidade de mudança, embora a recuperação do país não seja imediata.

Sentimento geral entre os venezuelanos

Segundo Perez, o sentimento predominante entre a população é de alegria e esperança, porque o episódio é visto como inédito e potencialmente transformador.

Nas palavras dele, “O que aconteceu ontem é inédito e pode mudar o futuro do nosso país para algo melhor, apesar de ainda existirem muitas incertezas, o sentimento predominante é de alegria e esperança”.

Ele reforça que “Esperança é maior do que o medo do que poderá acontecer”, destacando, no entanto, que muitos ainda temem instabilidade e desdobramentos imprevisíveis.

Impacto na migração venezuelana para o Brasil

Perez avalia que o fluxo migratório da Venezuela para o Brasil deve diminuir com o novo cenário, mas ressalta que mudanças significativas levam tempo.

Ele explica que “Com essa mudança, o cenário continua incerto, pode ter uma mudança muito positiva”, porém lembra que “ainda não saímos do governo atual só porque Maduro foi preso, também não quer dizer que a economia vai se recuperar imediatamente, ainda há insegurança jurídica no país”.

Para migrantes e organizações que atuam no Brasil, uma expectativa de redução na pressão migratória convive com a necessidade de manter políticas de acolhimento, pelo menos no curto e médio prazo.

Perfil do fundador e atuação da Casa Venezuela

Perez passou a infância e a adolescência entre Venezuela e Brasil, voltou a Caracas em 2008 e depois estudou nos Estados Unidos, onde fez mestrado.

Ele ressalta que “Minha situação não é representativa de todos os venezuelanos”, explicando que a família teve alguma proteção econômica por conta do trabalho do pai em multinacionais, e que outros parentes já emigraram para os Estados Unidos, Espanha e Brasil.

Após o mestrado, Perez se mudou para o Brasil e fundou a ONG Casa Venezuela, que ele define como “apolítica e humanitária”, trabalhando pela inclusão social e econômica dos venezuelanos que chegam ao país.

Crítico do governo de Maduro, Perez também apoia a exploração de petróleo por parte dos Estados Unidos no país, posição que ele vê como parte de uma possível reconfiguração política e econômica.

Perspectivas e cautela

Em linhas gerais, Perez acredita que a detenção de Maduro abre espaço para uma transição democrática, uma vontade que ele diz ser compartilhada pela “grande maioria dos venezuelanos”.

Ao mesmo tempo, enfatiza a necessidade de prudência, porque a simples captura do presidente não garante recuperação econômica imediata nem segurança jurídica no curto prazo.

Para migrantes e organizações como a Casa Venezuela, o desafio agora é conciliar a esperança por mudanças com ações práticas de apoio enquanto persistirem as incertezas.

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