Mineiro Murilo Vargas Documenta a Preparação para o Everest e Destaca Heróis Invisíveis em Vídeo Épico
A temporada de escalada no Himalaia, especialmente no Monte Everest, é um período de grande expectativa e desafios. Este ano, a abertura foi marcada por contratempos, incluindo a interrupção dos trabalhos dos “doutores do gelo”, responsáveis por instalar equipamentos de segurança, devido à ameaça de um imenso bloco de gelo, um serac, que representa um perigo iminente para os escaladores. A prudência é motivada por tragédias passadas, como a avalanche de 2014 que vitimou 16 sherpas.
Enquanto a natureza dita o ritmo, dezenas de grupos já iniciaram a aclimatação em montanhas próximas, preparando-se fisicamente e fisiologicamente para o grande objetivo. Nesse cenário, o mineiro Murilo Vargas, de 45 anos, traz uma perspectiva única ao atuar como cinegrafista de expedições em ambientes extremos. Com experiência em locais como Antártica e Alasca, ele documenta a jornada em um vídeo especial, revelando os preparativos e a dedicação necessária para capturar imagens impactantes nos locais mais hostis do planeta.
Vargas, que embarca para o Nepal em breve, compartilhou detalhes sobre sua trajetória e o mercado de alta montanha. Sua paixão pela escalada começou na Serra do Cipó, em Minas Gerais, em 2001, evoluindo para a alta montanha na Bolívia em 2005. Em 2019, fundou sua produtora audiovisual focada em filmes de escalada, acompanhando clientes em expedições ao redor do globo, com o Everest como objetivo frequente.
A Luta Pelo Cume e a Importância da Ética
Apesar de sonhar com o Everest desde a infância, Murilo Vargas ainda não alcançou o cume. Sua primeira tentativa em 2023 e uma segunda em 2024 não obtiveram sucesso. O ponto mais alto que atingiu foi 8.200 metros, mas teve que abandonar a escalada quando seu sherpa sofreu edema pulmonar. Vargas enfatiza a importância da ética e da responsabilidade, afirmando que “não deixaria ninguém para seguir”.
O Mercado Especializado e a Paixão pela Montanha
O mercado para cinegrafistas de alta montanha é descrito por Vargas como “muito especializado” e com pouca concorrência. Ele destaca que a experiência de 26 anos em escalada, incluindo rocha e big wall, é fundamental. O risco inerente a essa profissão é mitigado pela preparação técnica, física e, principalmente, fisiológica. “Eu me preparo muito”, afirma. Para ele, é mais que um trabalho, é uma paixão que proporciona autoconhecimento e uma profunda conexão com o ambiente e as pessoas.
“Quem trabalha na montanha se conecta muito com aquele ambiente”, explica Vargas. “Ele não está única e exclusivamente pelo dinheiro, mas também pela relação pessoal, pela conexão com aquele habitat, com aquelas pessoas”. Ele descreve o Nepal como um lugar com “uma energia de outro planeta”.
Clientes e Expedições Flash no Everest
A maioria dos clientes de Vargas são CEOs de grandes empresas. Esses profissionais, além de poderem arcar com os altos custos de expedições de luxo, buscam otimizar o tempo. Graças a tecnologias como equipamentos de hipóxia e o uso de xenônio, que acelera a produção de hemoglobina, o tempo de aclimatação na montanha é drasticamente reduzido, permitindo expedições “flash” que duram menos de 50 dias, tempo usualmente necessário.
Projeto “Heróis Invisíveis”: Dando Voz aos Trabalhadores da Montanha
Nesta temporada, Murilo Vargas foca seu projeto “Heróis Invisíveis” nas condições de trabalho dos “trabalhadores de altitude”, que muitas vezes são chamados de sherpas, mas incluem outras etnias. “A maioria dos montanhistas, principalmente os ocidentais, vão lá, chegam ao cume, na maior parte das vezes muito ajudados pelos trabalhadores e eles ficam invisíveis, nunca aparecem em nenhum vídeo”, relata Vargas.
Seu projeto visa dar visibilidade a esses profissionais essenciais, contando suas histórias e destacando sua importância no mundo da escalada. “Meu projeto é justamente o contrário, é contar a história deles e sua importância dentro desse mundo de ambição de quem quer chegar no topo do mundo”, conclui.