MotoGP retorna ao Brasil com festa do público e problemas no asfalto em Goiânia
A MotoGP celebrou seu retorno ao Brasil após mais de duas décadas com um público expressivo no Autódromo de Goiânia. Milhares de fãs compareceram durante o fim de semana, testemunhando a vitória do italiano Marco Bezzecchi na corrida principal. No entanto, a celebração foi ofuscada por problemas recorrentes na pista, que afetaram o andamento da prova e geraram insatisfação.
Apesar do entusiasmo dos espectadores, a qualidade do asfalto se mostrou um desafio significativo. Chuvas prévias e o forte calor na pista, que chegou a 52°C, contribuíram para o desgaste acelerado, forçando a redução do número de voltas da corrida principal. A decisão pegou pilotos e equipes de surpresa, com a informação chegando minutos antes da largada.
O brasileiro Diogo Moreira, que terminou em 13º na corrida principal e em décimo na sprint, relatou que pedaços do asfalto se soltaram durante a prova, atingindo os competidores. Ele também apontou ondulações na pista, indicando que o asfalto não estava bem compactado. Essas questões surgiram mesmo após reformas recentes no autódromo, que recebeu um investimento público considerável.
Problemas no asfalto e surpresa com redução de voltas
A corrida principal, originalmente planejada com 31 voltas, teve seu tempo total reduzido para 23 voltas. Conforme informou a categoria, a decisão foi tomada devido ao **desgaste do asfalto**, intensificado pelas chuvas e pelo calor extremo. O piloto brasileiro Diogo Moreira expressou sua frustração, afirmando que a informação sobre a mudança chegou apenas cinco minutos antes da largada, impedindo a troca de pneus ou ajustes estratégicos.
“Não teria problema em atrasar a corrida em cinco minutos e dar esse tempo para as equipes mudarem os pneus”, disse Moreira. Ele também relatou ter sido atingido por **pedrinhas soltas do asfalto** durante toda a corrida, evidenciando a precariedade da pista. O problema mais grave foi um buraco na reta principal, que surgiu na véspera da prova e atrasou a corrida sprint em cerca de 1 hora e 20 minutos, exigindo reparos emergenciais com concreto.
Infraestrutura e gestão sob escrutínio
A realização da etapa em Goiânia envolveu um investimento público de aproximadamente R$ 250 milhões, sendo R$ 60 milhões destinados diretamente a reformas no autódromo. Apesar do alto investimento, falhas na pista e na organização geraram críticas. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, esteve presente para dar a bandeirada e entregar troféus, transformando parte do evento em um palco político.
O contrato da MotoGP com o Brasil prevê cinco anos de corridas, de 2026 a 2030. O diretor esportivo da categoria, Carlos Ezpeleta, reconheceu os problemas, atribuindo-os em parte ao primeiro ano e à interferência climática. “Tivemos problemas com a chuva, mas isso faz parte de um primeiro ano. Há ajustes a fazer, e a tendência é que o evento evolua nas próximas edições”, afirmou.
Opiniões divididas entre o público
Entre os mais de 148 mil espectadores que passaram pelo autódromo ao longo do fim de semana, as opiniões foram mistas. A estudante Bárbara Mussi, 29, e seu namorado, Guilherme Silveira, 27, ambos do Rio de Janeiro, apontaram falhas na orientação do público e no acesso ao autódromo. “Tentaram concentrar a saída do público em ônibus e ficou todo mundo meio ‘enlatado'”, reclamou Silveira sobre o acesso.
Por outro lado, outros torcedores tiveram uma experiência positiva. O engenheiro civil Andre Luis Martins, 23, que compareceu pela primeira vez a um evento do tipo, elogiou a organização e a estrutura, relativizando os atrasos. “A gente entende. Em qualquer evento pode acontecer, não atrapalhou a experiência”, declarou.
Um retorno simbólico com desafios pela frente
O retorno da MotoGP ao Brasil, que não corria no país desde 2004, tem um forte peso simbólico. Goiânia tem um histórico com a categoria, tendo sediado etapas entre 1987 e 1989. A atual etapa retoma essa relação, em um cenário global de intensa competição por sediar eventos de grande porte. Contudo, os problemas apresentados neste primeiro ano indicam que há um caminho a ser percorrido para aprimorar a experiência de pilotos e fãs nas próximas edições.