Onda de protestos nos EUA após morte de mulher por agente do ICE em Minneapolis mobiliza Nova York, Miami e Nova Orleans e reabre debate sobre operações do ICE

O caso da morte de mulher por agente do ICE em Minneapolis provoca grandes protestos em várias cidades dos EUA, reacende críticas ao ICE e divide autoridades federais e locais

Uma onda de manifestações tomou as ruas dos Estados Unidos após a morte de uma mulher de 37 anos, atingida durante uma operação do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, o ICE, em Minneapolis.

Vídeos compartilhados por testemunhas mostram agentes se aproximando do carro, e um dos policiais atira depois que o veículo arranca, segundo relatos. As imagens alimentaram os protestos e o debate público.

As informações e os relatos sobre a ação e as manifestações foram divulgados por autoridades locais e pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, o DHS, e motivaram reações de líderes municipais e estaduais, conforme informação divulgada pelas autoridades locais e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

O que mostram os vídeos e a versão do DHS

As imagens registradas por testemunhas mostram o momento em que agentes se aproximam do carro da vítima e, em seguida, um dos policiais dispara, após o veículo começar a se mover. A vítima, uma cidadã norte-americana de 37 anos, foi atingida e morreu no local.

O Departamento de Segurança Interna afirmou que, durante a ação, “manifestantes violentos” tentaram atropelar os agentes, e declarou também, sobre o disparo, “Um agente do ICE, temendo por sua vida, pela vida de seus colegas e pela segurança pública, disparou em legítima defesa. Ele usou seu treinamento e salvou sua própria vida e a de seus colegas”, acrescentou.

Protestos em várias cidades e sinais de indignação

As manifestações se espalharam por cidades como Miami, Nova Orleans e Nova York, além de concentrarem grande número de pessoas em Minneapolis. Em Nova York, mais de 400 manifestantes se reuniram em frente a um escritório regional do ICE.

Cartazes e palavras de ordem criticavam o departamento, com frases como “ICE fora de Minnesota” e “ICE é a Gestapo de Trump”, exibidas por manifestantes que pedem responsabilidade e mudanças nas operações do ICE.

Autoridades locais relataram que os protestos atraíram mais pessoas do que os realizados após a morte de George Floyd, em maio de 2020, na mesma cidade, segundo relatos das autoridades locais que cobriram as manifestações.

Reações políticas e disputa sobre a versão oficial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a ação dos agentes e afirmou que a mulher tentou atropelar o agente de forma “violenta” e “deliberada”, posicionamento que foi divulgado nas redes sociais presidenciais.

Por sua vez, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, contestaram a versão apresentada pelo DHS e pela Casa Branca, e pediram investigação independente sobre as circunstâncias da morte.

O caso da morte de mulher por agente do ICE voltou a colocar no centro do debate nacional as práticas do ICE, a atuação de agentes federais em operações locais e os mecanismos de responsabilização quando há uso de força letal.

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