Operação da PF contra o Master: Toffoli autoriza nova fase contra fundos suspeitos de fraude bilionária

PF avança na Operação Compliance Zero contra o banco Master, com autorização de Dias Toffoli

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) uma nova fase da Operação Compliance Zero, focada em desarticular um esquema bilionário de fraudes supostamente orquestrado pelo banco Master. A ação, autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli, investiga o uso de fundos de investimento em operações financeiras ilícitas.

O cerne da investigação aponta para uma complexa ciranda financeira, onde recursos teriam sido desviados e utilizados para a compra de ativos de baixa qualidade, como as chamadas cártulas, certificados de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

A operação visa identificar e responsabilizar os envolvidos nas fraudes, que teriam movimentado quantias expressivas. A decisão de Toffoli, que manteve o inqurérito sob sigilo, tem gerado repercussão no mercado financeiro e no meio político. Conforme informações divulgadas pela Folha, a investigação também apura conexões de empresas ligadas a parentes do ministro com fundos suspeitos.

Esquema bilionário: empréstimos e fundos sob suspeita

O esquema investigado pela PF começava com empréstimos concedidos pelo banco Master a diversas empresas. Em seguida, essas companhias aplicavam os valores em fundos geridos pela Reag, que teve como presidente e sócio-fundador João Carlos Mansur, um dos alvos da operação. Uma empresa específica, a Brain Realty Consultoria e Participações, teria recebido um empréstimo de quase R$ 500 milhões do Master, com o dinheiro sendo, posteriormente, aplicado em fundos da Reag.

Fundos da Reag e a suspeita de laranjas para o dono do Master

O Banco Central (BC) identificou uma lista de seis fundos da Reag que teriam operado dentro desse esquema. A principal suspeita é que os verdadeiros donos desses fundos seriam indivíduos que atuavam como laranjas para o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master. A atual fase da Operação Compliance Zero tem como foco justamente os responsáveis por essas supostas fraudes financeiras.

Antecedentes: prisões e tentativas de fuga

Esta não é a primeira ação da PF relacionada ao banco Master. Em novembro do ano passado, uma operação anterior investigou a venda de carteiras falsas de crédito consignado para o BRB. Na ocasião, Daniel Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Malta e, posteriormente, Dubai. A defesa alegou que a viagem seria para negociações com investidores árabes interessados em adquirir o Master. Vorcaro foi solto após 12 dias.

Em uma situação semelhante, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da igreja Lagoinha, foi preso enquanto se preparava para deixar o país de jatinho, rumo a Dubai. Ele também foi liberado logo em seguida. Há suspeitas de vazamento de informações sobre essa operação, segundo fontes ligadas à investigação.

Toffoli e as decisões no STF

O caso chegou ao STF no final do ano passado, após a defesa de Vorcaro solicitar a transferência. A decisão de levar o caso ao Supremo ocorreu após a descoberta de um envelope com documentos de um negócio imobiliário envolvendo o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) durante uma busca e apreensão anterior. O ministro Dias Toffoli autorizou a operação desta quarta-feira, que resultou em 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens que somam R$ 5,7 bilhões. Apesar de críticas e desconfianças do mercado, Toffoli determinou a realização de depoimentos e acareações entre envolvidos chave na investigação, como Vorcaro, Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton de Aquino (Diretor de Fiscalização).

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