Polícia Civil de SP desvenda esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi, envolvendo figuras-chave do São Paulo Futebol Clube.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação na manhã desta quarta-feira (21) com o objetivo de desarticular um esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube. A ação visa apurar denúncias de irregularidades na comercialização desses espaços.
Quatro mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos contra três investigados. Entre os alvos da investigação estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base, Mara Casares, ex-mulher do presidente afastado do clube, Julio Casares, e Rita Adriana, ex-diretora feminina, cultural e de eventos.
O São Paulo Futebol Clube, por meio de sua assessoria, declarou ser vítima no caso e se comprometeu a colaborar integralmente com as autoridades na investigação. A notícia surge em um momento delicado para o clube, que recentemente aprovou o afastamento de seu presidente, Julio Casares, em um processo de impeachment. Conforme divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), a 3ª DPPC (Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração) lidera os trabalhos.
Afastamento de Julio Casares e as primeiras suspeitas
O afastamento de Julio Casares da presidência do São Paulo foi aprovado pelo Conselho Deliberativo na última sexta-feira (16), com 188 votos contrários à sua permanência no cargo. Essa decisão foi motivada por uma série de escândalos que abalaram a gestão, culminando na suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbi durante shows. O pedido de destituição foi protocolado em 23 de dezembro.
As investigações ganharam força após a divulgação de áudios pelo site ge.com em dezembro, que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um camarote reservado à presidência em dias de eventos musicais. Após a divulgação, Mara Casares e Douglas Schwartzmann se afastaram de suas funções no clube.
Investigações financeiras e movimentações suspeitas
Paralelamente ao caso dos camarotes, a Polícia Civil já mantinha um inquérito aberto para apurar outras supostas irregularidades. As investigações incluem suspeitas sobre o departamento de futebol e também sobre as contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
Um dos pontos de atenção é o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente, conforme apura a Polícia Civil. Além disso, uma outra linha de investigação busca esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões.
Os advogados de Julio Casares, Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf possuem origem lícita e legítima. Segundo a defesa, os recursos são compatíveis com a evolução da capacidade financeira do dirigente, que ocupou cargos de alta remuneração na iniciativa privada antes de assumir a presidência do São Paulo. A origem dos recursos, asseguram os advogados, será detalhada com a apresentação de documentos e declarações fiscais ao longo das investigações.
O São Paulo se posiciona como vítima
A assessoria do São Paulo Futebol Clube reiterou que o clube é vítima neste caso. A diretoria afirmou que irá colaborar ativamente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. O vice-presidente Harry Massis Junior assumiu interinamente a presidência após o afastamento de Julio Casares.