Pascoareta: A Tradição de 50 Anos que Reúne Mais de 100 Parentes em SP e Mantém Viva a Memória Familiar

A “Pascoareta”: Uma Celebração de Família que Ultrapassa Gerações e Distâncias

Uma tradição familiar que nasceu no interior de São Paulo há 50 anos continua a encantar e unir gerações. A “Pascoareta”, como ficou conhecida, é um encontro anual que reúne mais de 100 parentes durante o feriado de Páscoa, celebrando a convivência, a memória e os laços que conectam os descendentes de Saturnino Castro, carinhosamente chamado de “Vozão”.

Originários de Adamantina (SP), os Castro hoje estão espalhados por diversas partes do Brasil e até mesmo no exterior, incluindo a Flórida, nos Estados Unidos. Mesmo com a quilometragem que os separa, a “Pascoareta” se tornou um símbolo de união, um momento aguardado para reencontros e para manter viva a história familiar, conforme divulgado pelo g1.

A escolha do feriado de Páscoa, segundo os netos de Saturnino, Paulo, Fernanda e Alexandra Castro, foi estratégica. A data facilita o deslocamento e oferece custos mais acessíveis em comparação com o Natal, tornando a reunião mais viável para um número maior de familiares. O objetivo principal, ressaltam, é fortalecer os laços familiares e preservar a memória dos antepassados, sem caráter religioso.

O Início de Uma Tradição Inesquecível

A “Pascoareta” teve início na década de 1970, a partir de um pedido do patriarca Saturnino Castro. Ele enfatizava a importância da união familiar, mesmo permitindo que seus filhos fizessem suas próprias escolhas de vida. Inicialmente, as reuniões aconteciam no Natal, mas as dificuldades logísticas e financeiras levaram à mudança para a Páscoa, consolidando o nome “Pascoareta”.

“Meu avô, Saturnino, dizia que os filhos podiam casar com quem quisessem, mas fazia questão de que a família se reunisse. No começo era no Natal, mas ficou caro e difícil conciliar as datas. Aí a Páscoa virou o momento ideal, e o apelido ‘Pascoareta’ acabou ficando”, explicou Paulo Castro ao g1.

A “Caminhada Simbólica”: Conectando o Passado ao Presente

Uma das novidades que tem emocionado os participantes é a “caminhada simbólica virtual”, iniciada em 2024. A ideia é que cada membro da família registre suas caminhadas diárias, somando os quilômetros para criar uma jornada coletiva em homenagem à trajetória de Saturnino. O percurso refaz simbolicamente o mapa de sua vida, começando na Bahia, seu estado natal, passando pelo Mato Grosso do Sul e terminando em Adamantina.

Este trajeto de aproximadamente 5 mil quilômetros transforma passos cotidianos em uma celebração da história familiar. “A ideia era fazer com que todos andassem um pouquinho e a gente fosse adicionando a quilometragem. No final, pedimos para o nosso tio Edmilson, filho mais velho do vô, completar simbolicamente a caminhada. Ele tem 85 anos e foi muito bonito vê-lo concluir a maratona”, relatou Paulo.

Em 2024, a caminhada ganhou um novo homenageado, Edgar, pai de Alexandra, Fernanda e Paulo, e a conclusão do percurso está prevista para ocorrer durante a própria “Pascoareta” em Dois Córregos (SP), local da edição de 2026.

Convivência e Alegria: Os Pilares da “Pascoareta”

Reunir mais de 100 pessoas por quatro dias pode parecer um desafio, mas a “Pascoareta” se destaca pela regra de ouro da **convivência respeitosa**. Diferentes religiões, opiniões políticas e paixões futebolísticas coexistem harmoniosamente, fortalecendo os laços familiares.

A programação vai além das conversas, incluindo bingo para os mais velhos, caça aos ovos para as crianças e o tradicional “escambo”, onde objetos usados são trocados entre os participantes. A trilha sonora também é um ponto alto, com clássicos do grupo ABBA embalando momentos de pura descontração e festa.

“Uma das tias mais novas, a Eliane, se arrumava toda para sair e dançar ABBA quando éramos adolescentes. Ficou marcado. A hora que começa a tocar, vira festa”, compartilha Alexandra.

Um Legado de Amor e Aceitação

Ao final de cada “Pascoareta”, enquanto a tradicional foto oficial é tirada, os Castro já iniciam o planejamento para o próximo encontro. A tradição, que completou 50 anos, transcendeu o desejo inicial de Saturnino, tornando-se um evento de profundo significado.

“A gente passou por muita coisa nesses 50 anos e acho que nem o vô imaginava que estava criando algo tão profundo. Hoje, é uma festa de amor. Independente do que você acredita ou de como se comporta, você é aceito”, conclui Alexandra, ressaltando o ambiente de **aceitação e amor incondicional** que marca a “Pascoareta”.

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