A estatal venezuelana PDVSA mantinha produção e refino normais neste sábado, 3, segundo informações obtidas por fontes com conhecimento das operações da empresa.
Uma avaliação inicial apontou que as instalações mais importantes não sofreram danos com os ataques dos Estados Unidos, embora o porto de La Guaira tenha sido relatado com danos graves por uma das fontes.
As informações sobre o estado das operações e dos portos foram divulgadas após a ação contra o presidente Nicolás Maduro, conforme informação divulgada pela Reuters e AFP
Estado das operações e impacto imediato
Fontes internas disseram que a produção e o refino da PDVSA estavam normais no sábado, e que as unidades-chave não registraram danos significativos, de acordo com uma avaliação inicial.
Apesar disso, uma das fontes afirmou que o porto de La Guaira, próximo a Caracas, teve danos graves, e que ele não é usado rotineiramente para operações petrolíferas.
Essas avaliações preliminares ainda precisam de verificação completa, e a situação logística pode mudar conforme as inspeções avançarem.
Sanções, bloqueios e queda de exportações
Em dezembro, Donald Trump anunciou um bloqueio à entrada e saída de petroleiros do país, e os EUA apreenderam dois carregamentos de petróleo, o que reduziu as exportações.
Segundo dados de monitoramento e documentos internos citados pela reportagem, isso reduziu as exportações do país em cerca de metade dos 950 mil barris por dia (bpd) que exportou em novembro.
As medidas americanas fizeram armadores se desviarem das águas venezuelanas, aumentando estoques de petróleo bruto e combustíveis da PDVSA, e levando a estatal a armazenar petróleo em navios-tanque para manter a produção e o refino.
Ciberataque, logística e operações administrativas
Além das sanções, a PDVSA ainda não se recuperou totalmente de um ataque cibernético em dezembro, que forçou a isolar terminais, campos e refinarias do sistema central.
A empresa passou a recorrer a registros escritos para dar continuidade às operações, e precisou reduzir o ritmo de entregas nos portos para evitar paradas na produção ou no refino.
Esses problemas administrativos e de extração, somados às sanções, ajudaram a derrubar a produção do país nas últimas décadas.
Cenário macro e declarações dos EUA
Segundo a Opep, a produção caiu de 3,5 milhões de barris por dia em 2008 para menos de 1 milhão atualmente, resultado das avaliações americanas, corrupção e má gestão no sistema de extração.
Em entrevista ao canal Fox News, Trump afirmou, traduzido, “Temos as maiores companhias petrolíferas do mundo, as maiores, as melhores, e vamos estar muito envolvidos nisso”, indicando intenção de maior participação das empresas americanas no setor venezuelano.
Em 2025, Trump concedeu licenças que permitiram a multinacionais operarem na Venezuela, e a Chevron obteve uma licença especial em julho, em meio ao quadro de sanções e disputas comerciais.
O cenário permanece tenso, com Caracas classificando como “ameaça grotesca” anúncios de bloqueios e confisco de navios, e com a PDVSA tentando equilibrar produção, armazenamento e refino em meio a restrições externas.