Pecuária brasileira quase entrou em colapso em 2025, tarifas de 76,5% dos EUA e cota chinesa de 1,11 milhão com sobretaxa de 55% ameaçaram exportações

O choque de tarifas em 2025 colocou a pecuária brasileira à beira do colapso, com taxas de 76,5% dos Estados Unidos e risco de 67% da China, e agora o setor tem que se adaptar

Pecuária brasileira quase não resistiu ao atrito comercial do ano passado, e o risco continua com as medidas chinesas, mas há caminhos para recuperação.

No segundo semestre de 2025, produtores e exportadores conviveram com uma taxa de 76,5% imposta pelos Estados Unidos, e enfrentaram a ameaça de uma tarifa de 67% vinda da China, principal comprador do Brasil.

As medidas foram determinantes para redesenhar vendas, rotas e preços, e o setor tem agora o primeiro semestre para negociar com os chineses as condições de acesso, conforme informação divulgada por fontes do setor pecuário.

Como as tarifas quase provocaram o colapso

A cobrança americana de 76,5% durante grande parte do segundo semestre pressionou fortemente exportadores, frigoríficos e pecuaristas, pois representou corte abrupto de competitividade em um dos maiores mercados mundiais.

A soma desse impacto com a ameaça de uma tarifa chinesa de 67% tornaria a situação insustentável para a cadeia, uma vez que, somente a China, compra volume muito maior do que os EUA.

Enquanto a sobretaxa americana vigorou, a China passou a ser o socorro do mercado brasileiro, com compras que mantiveram fluxo de vendas e ajudaram a evitar um colapso do setor.

Cotas chinesas, regras e números que mudam o jogo

A China estabeleceu uma cota de 1,11 milhão de toneladas para 2026, com tarifa de 12% dentro da cota e sobretaxa de mais 55% para o que estiver fora, e o volume já havia sido superado em setembro do ano passado.

O setor tem o primeiro semestre para negociar eventuais mudanças, porque, apesar da tarifa pesada, a China ainda precisará de carne bovina, com previsão de compras de 2,7 milhões de toneladas neste ano.

Mesmo com perda de espaço no mercado chinês, o produto brasileiro mantém vantagem de custo, mas os consumidores chineses podem sofrer com mais inflação importada.

Perspectivas de mercados alternativos e oferta global

Os Estados Unidos devem retornar com força, pois há previsão de queda na produção americana para 11,7 milhões de toneladas, ante 12,4 milhões em 2020, e consumo estimado em 12,7 milhões, o que deve elevar importações acima de 2 milhões.

No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos importaram 30 mil toneladas de carne bovina brasileira por mês, e, mantido esse patamar, as compras poderiam atingir 360 mil em 2026.

O Brasil ampliou sua rede de compradores, vendendo para pelo menos 173 países em 2025, e 31 deles compraram volume superior a 10 mil toneladas, o que dá espaço para realocação de vendas frente às cotas chinesas.

Riscos, adaptações e o que vem pela frente

Há dez anos a Ásia comprava 357 mil toneladas do Brasil, e até novembro do ano passado o volume atingiu 1,78 milhão, demonstrando a dependência crescente do mercado asiático.

Países como Filipinas, Indonésia, Malásia, Vietnã e Singapura mostram forte evolução nas importações, e mercados na África e na América do Norte também cresceram, reduzindo, em parte, o impacto das tarifas concentradas.

Para 2026, a pecuária brasileira terá caminhos tortuosos, mas sem grandes gargalos, desde que frigoríficos e exportadores ajustem mercados, preços e negociações com compradores, e aproveitem a necessidade chinesa por volumes que dificilmente serão totalmente substituídos no curto prazo.

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