A retomada da atuação americana na Venezuela reabre uma disputa por reservas que pode realinhar investimentos na região, entre petróleo e gás.
O cenário coloca países com grandes reservas, como Guiana e Colômbia, em uma corrida por atenção de petroleiras e investidores, enquanto o Brasil vê aumentar a competição na sua margem equatorial.
Analistas e executivos avaliam que a movimentação pode reduzir preços e forçar decisões estratégicas de empresas e governos nos próximos anos.
conforme informação divulgada pelo g1
Produção venezuelana e efeitos sobre oferta e preço
Desde a estatização do setor no país e a saída das companhias americanas e britânicas na era chavista, “a capacidade de produção nacional despencou para cerca de 800 mil barris por dia”, muito abaixo de concorrentes de peso como Arábia Saudita, Rússia e os próprios Estados Unidos.
“O provável aumento da oferta mundial de petróleo levará à queda ainda maior do preço do barril, hoje negociado em torno de US$ 60.”
“A diminuição do valor nos próximos dois anos já era antecipada pelos analistas, devido a uma oferta abundante e não acompanhada por aumento da demanda.”
Geopolítica, investidores e citações de especialistas
O economista Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, chama atenção para a influência política nas decisões de investimento e na produção regional.
Ele afirma, “Na Argentina, o governo de direita, do Milei, é alinhado a Trump. A Bolívia também recentemente teve uma eleição e a direita ganhou”, lembrando que escolhas políticas podem abrir portas para parceiros americanos.
Pires também destacou, “Você tem a Guiana, grande estrela de produção de óleo, cujos dois principais investidores são as americanas ExxonMobil e Chevron. Tem a Colômbia, onde haverá eleições este ano e parece que o favorito é o candidato da direita, assim como no Chile, onde a direita venceu.”
Pressão sobre a Petrobras e a margem equatorial brasileira
A volta dos americanos à Venezuela tende a estimular a competição internacional pela atuação na margem equatorial brasileira, o que coloca a Petrobras sob pressão por investimentos e participação.
Em 2025, após 12 anos, “a companhia recebeu autorização para iniciar os estudos de prospecção em um dos quase 300 blocos identificados na área, ao norte do Brasil.”
Como observa Pires, “Você vai ter empresas de petróleo que vão começar a se questionar: coloco dinheiro na Venezuela ou coloco na margem equatorial? Está sendo criado um concorrente para esses investimentos”, o que pode alterar prioridades de alocação de capital.
O que vem a seguir
Com oferta potencialmente maior e preços na casa dos US$ 60 por barril, investidores e governos devem reavaliar projetos, especialmente em campos de gás e blocos offshore.
Para o Brasil, a competição representa risco e oportunidade, exigindo decisões rápidas sobre concessões, parcerias e ritmo de exploração para manter participação no mercado global.