Presidente da AFA proibido de sair da Argentina por suspeita de sonegação fiscal: Claudio Tapia convocado pela Justiça

Justiça argentina impede saída de Claudio Tapia do país em caso de suposta sonegação fiscal

O presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, conhecido como ‘Chiqui’ Tapia, está impedido de deixar a Argentina. A decisão judicial, divulgada na imprensa local, também o intima a depor em uma investigação sobre suposta sonegação fiscal e desvio de verbas da previdência social.

A intimação ocorre em resposta a uma denúncia apresentada pela Receita Federal Argentina (ARCA). O caso investiga se a entidade reteve indevidamente impostos e contribuições previdenciárias entre março de 2024 e setembro de 2025. A ordem judicial abrange outros três dirigentes da AFA, federação que supervisiona a seleção campeã mundial.

A AFA reagiu à decisão, declarando que a entidade não possui dívidas pendentes com as autoridades fiscais e considera a convocação de seu presidente injustificável. A associação alega que as obrigações fiscais em questão ainda não venceram e não podem ser cobradas, sendo usadas como pretexto para a acusação de crime tributário.

Proibição de viagem e ameaça à Finalíssima

A decisão judicial de impedir a viagem de Tapia visa garantir sua presença durante as investigações, dada a gravidade dos eventos apurados. A ordem não especifica se a proibição de saída do país será suspensa após a conclusão do processo legal, o que gera incerteza sobre a participação de Tapia na Finalíssima.

A Finalíssima é um confronto entre os campeões da América do Sul e da Europa, com a Argentina enfrentando a Espanha no Qatar em 27 de março. Este jogo é a última partida oficial da seleção argentina antes do início da Copa do Mundo, marcada para junho e julho.

AFA nega irregularidades e aponta disputa política

Em comunicado oficial, a AFA afirmou que não possui obrigações fiscais pendentes que justifiquem a denúncia da ARCA. A entidade considera a intimação para interrogatório dos diretores prematura e sem justificativa legal, alegando a ausência de qualquer crime.

A associação atribui o caso a uma suposta “campanha difamatória” ligada a uma disputa comercial com um empresário sobre a organização de amistosos da seleção. A AFA também indicou que a denúncia conta com o “apoio do governo nacional”, citando especificamente o Ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona.

Conflito com o governo Milei e acusações de “máfia”

A AFA se opõe à proposta do presidente Javier Milei de transformar clubes de futebol em empresas esportivas de capital aberto, modelo amplamente rejeitado pelo futebol argentino. Em dezembro passado, a senadora Patricia Bullrich, do partido governista, apresentou uma denúncia contra Tapia e Pablo Toviggino (tesoureiro da AFA) à Conmebol.

Bullrich acusou os dirigentes de supostas violações do código de ética da Conmebol e exigiu uma investigação sobre o que chamou de “máfia que controla a AFA e mancha o futebol argentino”. A AFA rebateu, classificando as ações do governo Milei como um “ataque coordenado” para prejudicar as operações da organização.

Investigações adicionais e histórico de Tapia

Além da acusação de sonegação fiscal, a AFA está sob investigação por possível lavagem de dinheiro. Em dezembro, uma operação de busca e apreensão foi realizada na sede da entidade para coletar documentos relacionados a transações suspeitas com uma instituição financeira privada.

Claudio Tapia, que preside a AFA há nove anos, já enfrentou outras pressões políticas durante seu mandato. Ele já declarou em novembro que “três presidentes já passaram pelos nove anos em que estou à frente do futebol argentino, e ainda tenho muitos anos pela frente”, demonstrando resiliência diante das adversidades.

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