Recuperação judicial da Coteminas, stay period prorrogado até 20 de janeiro, empresa suspende execução de dívidas enquanto juiz analisa homologação do plano

Coteminas obtém nova prorrogação do stay period até 20 de janeiro, proteção suspende execuções enquanto Justiça analisa homologação do plano de recuperação judicial

A Coteminas conseguiu junto à Justiça de Minas Gerais nova prorrogação do chamado stay period, período em que dívidas e garantias não podem ser executadas.

A prorrogação vale até o dia 20 de janeiro, prazo estipulado para que o juiz homologue o plano de recuperação aprovado em assembleia geral de credores.

Essa prorrogação foi solicitada pelos advogados da empresa por considerar o prazo anterior insuficiente para análise judicial, conforme informação divulgada pela Coteminas e pela Justiça de Minas Gerais.

O que é o stay period e por que foi prorrogado

O stay period é a proteção prevista na legislação de recuperação judicial, que normalmente dura seis meses, mas pode ser prorrogada enquanto a empresa discute o plano com credores.

No caso da Coteminas, o prazo inicial venceu em 17 de dezembro, depois da assembleia que aprovou o plano, e três dias antes do início do recesso judiciário, por isso os advogados pediram mais tempo ao juiz.

A expectativa é que a homologação do plano ocorra até o dia 20 de janeiro, e por isso o stay period foi prorrogado até essa data, evitando execuções e dando mais segurança à reestruturação.

O que prevê o plano de recuperação

O plano da Coteminas envolve a venda de seis imóveis industriais localizados em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pará, além da criação de dois fundos de investimento, um imobiliário e outro de direitos creditórios, que serão os principais instrumentos para pagamento dos credores.

Na frente trabalhista, os pagamentos serão limitados a 150 salários-mínimos (R$ 227,7 mil, no valor atual), parcelados em até 36 meses, com os valores reajustados pela inflação do período entre a homologação e a data do pagamento.

Em comunicado ao mercado, a Coteminas afirmou acreditar que “alcançará uma estrutura financeira que viabilizará um novo ciclo de crescimento.

Como ficaram as classes de credores

Na assembleia realizada em dezembro, a aprovação do plano foi apertada entre os credores trabalhistas, com aval de 51,06% de votos favoráveis, em uma classe que representa 2.875 credores.

Entre os credores com garantia real, o plano foi aprovado por unanimidade, e também recebeu maioria expressiva entre quirografários e micro e pequenas empresas.

Os credores com garantia real têm duas opções, virar cotistas de um fundo imobiliário ou receber o equivalente a 5% do crédito em parcela única, 30 anos depois da homologação, corrigidos pela inflação, limitados a 3% ao ano.

Os quirografários têm três opções, receber até R$ 7.000 em parcela única, um ano após a homologação, sem correção monetária, aderir como cotista de um FIDC, ou receber 5% do total do crédito em parcela única no 30º ano, com correção anual de até 3%.

Para microempresas e empresas de pequeno porte, o plano prevê um primeiro pagamento de R$ 7.000, corrigido pela inflação com limite de até 3%, um ano depois da homologação, e, passados outros 29 anos, estas receberão 5% dos valores remanescentes, corrigidos pela inflação em até 3% ao ano, em parcela única.

Próximos passos e impacto esperado

O processo de recuperação envolve dez empresas do Grupo Coteminas, incluindo Coteminas S.A., Companhia de Tecidos Norte de Minas, Companhia de Tecidos Santanense, Ammo Varejo S.A. e Springs Global Participações 2 S.A.

Com a prorrogação do stay period até 20 de janeiro, a expectativa do grupo é concluir a homologação do plano e ativar os mecanismos previstos, como venda de ativos e criação de fundos, para começar a pagar credores conforme as opções escolhidas.

A decisão cria um ambiente de segurança jurídica temporária para a empresa, ao mesmo tempo em que mantém incertezas para credores, que terão de optar entre alternativas de pagamento de curto e longo prazo previstas no plano.

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