Saks busca empréstimo de até US$ 1 bilhão para evitar falência, negocia financiamento DIP de US$ 750 milhões e vê saída do CEO em meio a queda de vendas

A varejista de luxo enfrenta uma crise de liquidez grave e acelerou conversas para obter recursos que permitam manter as lojas abertas enquanto avalia um pedido de falência nas próximas semanas.

A empresa tem deixado de honrar pagamentos e negocia tolerância com credores, em um esforço para ganhar tempo e desenhar um plano de reorganização ou financiamento emergencial.

As informações foram obtidas de pessoas familiarizadas com a situação e de reportagem do New York Post, conforme apurado.

O que está em negociação e como funcionaria o empréstimo

A **Saks** busca um empréstimo de até **US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões)** para manter o negócio operando caso entre com pedido de falência. Entre as estruturas em discussão está um financiamento conhecido como debtor-in-possession, que permitiria caixa novo enquanto a companhia permanece em operação.

Fontes indicam que o pacote DIP pode incluir **pelo menos US$ 750 milhões (R$ 4 bilhões)** em dinheiro novo e a possível incorporação de dívida existente, para garantir cobertura imediata de custos e operações durante uma eventual reestruturação.

A estrutura final do financiamento ainda pode mudar, porque a situação evolui rapidamente, segundo as fontes consultadas.

Débitos, calendário e reação do mercado

Com problemas de caixa, a empresa deixou de fazer um pagamento de juros aos detentores de títulos devido em 30 de dezembro, totalizando **mais de US$ 100 milhões (R$ 542 milhões)**.

Para ganhar tempo, a Saks tem negociado tolerância com alguns credores, medida que pode permitir a elaboração de um acordo de financiamento ou um plano de reorganização sem interrupção imediata das operações.

Mensagens enviadas à Saks não foram respondidas, e um representante da consultoria PJT Partners, que assessora a empresa, recusou-se a comentar.

Origem dos problemas e mudanças na gestão

A Saks, cujas raízes têm mais de 150 anos, enfrenta pressões por estoque e fluxo de caixa depois de levantar bilhões em títulos para um plano que envolveu a aquisição da Neiman Marcus. Em junho, credores concordaram em fornecer centenas de milhões adicionais como parte de um acordo de dívida que reorganizou a linha de pagamento.

Ainda assim, a empresa reportou queda nas vendas e problemas de estoque. No segundo trimestre, a receita caiu **13% ano a ano para US$ 1,6 bilhão (R$ 8,7 bilhões)**, levando a redução da previsão para o ano fiscal e à busca por opções de capital, incluindo a venda de uma participação minoritária na Bergdorf Goodman.

Em meio à crise, a Saks anunciou que o CEO Marc Metrick saiu do cargo, sendo substituído pelo presidente executivo Richard Baker, movimento visto como parte dos esforços para estabilizar a companhia.

O que vem a seguir e implicações

Se o DIP for aprovado, a Saks terá acesso a liquidez imediata, mas o processo implica negociações complexas entre credores e a possibilidade de repercussões para fornecedores e clientes. A empresa pode usar o tempo comprado para reestruturar operações, vender ativos ou fechar um acordo de financiamento mais amplo.

Para credores, o cenário envolve decidir entre aceitar termos que diluam posições existentes, ou pressionar por alternativas, inclusive a venda de ativos. Para consumidores, o impacto principal deve ser discreto no curto prazo, com lojas mantendo operações enquanto a reestruturação avança.

As negociações e a estrutura final do financiamento ainda estão em curso, conforme pessoas familiarizadas com a situação e reportagem do New York Post.

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