Salário mínimo na Venezuela vale menos de R$3 por mês e expõe miséria extrema, bolívar em colapso após invasão e prisão de Nicolás Maduro

Colapso econômico e instabilidade política reduzem o salário mínimo na Venezuela a fração de reais, a moeda perde valor aceleradamente e a população sente os efeitos imediatos

O país enfrenta um choque duplo, econômico e político, que atinge diretamente a renda dos trabalhadores e aposentados.

Preços sobem com frequência, o bolívar despenca e a renda fixa perde valor semana após semana.

As informações sobre a situação da moeda e do salário mínimo foram compiladas e divulgadas por veículos que cobriram os fatos, conforme informação divulgada pelo g1.

O tamanho da perda do poder de compra

O salário mínimo, congelado desde março de 2022, permanece fixado em 130 bolívares e perdeu ainda mais poder de compra nas últimas semanas, acompanhando a desvalorização acelerada da moeda nacional frente ao dólar. Esse dado explicita por que o rendimento oficial já não cobre o básico para a maioria das famílias.

Em 10 de dezembro, o salário mínimo passou a equivaler a cerca de R$ 2,72 por mês, valor próximo de meio dólar, segundo a cotação oficial do Banco Central da Venezuela, que registrou o dólar a 262 bolívares.

Neste sábado, a cotação dos 130 bolívares atingiu míseros R$ 2,39. Valores como esse mostram que o salário nacional é hoje uma soma simbólica diante dos custos reais.

Como o bolívar chegou a esse ponto

A moeda venezuelana entrou em mais um ciclo de queda por causa de escassez de reservas, instabilidade política e dependência crescente do dólar como referência de preços.

Apenas em novembro, a moeda venezuelana acumulou desvalorização de 8,8% em relação à divisa americana. O movimento foi acompanhado pela cotação oficial, que teve forte alta no mês.

No último dia útil do mês, a cotação oficial chegou a 245,66 bolívares por dólar, frente aos 223,96 registrados no início do período. A tendência de queda se manteve ao longo dos meses, acelerando a perda de poder de compra.

Desde janeiro, o bolívar acumula perda de 78,8% frente ao dólar, enquanto a moeda americana ficou 372,2% mais cara ao longo de 2025. Esses percentuais ajudam a dimensionar a velocidade da deterioração cambial.

Impacto imediato na vida cotidiana

Com a desvalorização continuada, preços são reajustados com maior frequência e o acesso a itens básicos se torna mais restrito.

Mesmo estabelecimentos que tentaram adotar o euro como alternativa de precificação enfrentam o mesmo problema, porque qualquer valorização de moedas estrangeiras resulta em novos aumentos locais.

Para muitos venezuelanos, a crise cambial deixou de ser um indicador econômico e passou a representar a impossibilidade de garantir o básico ao longo do mês.

Contexto político e repercussões

A Venezuela, invadida neste sábado (3/01) por forças dos Estados Unidos em uma operação que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, atravessa um dos períodos mais críticos de sua história recente. O episódio político, somado à crise econômica, agrava a incerteza sobre reservas e decisões cambiais.

À medida que a situação política ganha dimensão internacional, os efeitos econômicos permanecem no dia a dia, com perda de renda real e aumento da pobreza.

Os números e citações utilizados neste texto foram extraídos das informações divulgadas pelas reportagens consultadas, conforme informação divulgada pelo g1.

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