Sinal de Frank na Orelha: A Marca que Pode Alertar Sobre Risco de Infarto, Como no Caso de Maderite

A dobra peculiar na orelha que pode ser um sinal de alerta para problemas cardíacos.

Uma marca física discreta na orelha tem ganhado destaque após a morte do influenciador Henrique Maderite, vítima de infarto. Essa marca, conhecida como “sinal de Frank”, é uma prega diagonal no lóbulo da orelha que tem sido estudada por sua possível associação com doenças do coração e dos vasos sanguíneos.

Embora não seja um diagnóstico definitivo, o sinal de Frank pode servir como um importante alerta. Médicos ressaltam que ele nunca deve ser interpretado isoladamente e não deve causar pânico, mas pode indicar a necessidade de uma avaliação clínica mais aprofundada.

Essa associação entre a orelha e o coração não é nova. O “sinal de Frank” foi descrito pela primeira vez em 1973 e, desde então, estudos clínicos têm buscado entender melhor essa relação. Conforme informações divulgadas, pesquisas compararam a presença da dobra com exames como o cateterismo, que detecta obstruções nas artérias coronárias, encontrando uma correlação estatística entre os dois achados.

O que é o Sinal de Frank e sua relação com a aterosclerose

O “sinal de Frank” caracteriza-se por uma prega diagonal visível no lóbulo da orelha. A intensidade dessa marca pode variar consideravelmente, com classificações que descrevem desde uma leve fissura até um lóbulo quase dividido ao meio. Essa condição está principalmente associada à aterosclerose, uma doença caracterizada pelo acúmulo de gordura e inflamação nas paredes das artérias.

A aterosclerose é uma condição perigosa que pode levar a eventos graves como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e doença vascular periférica. A explicação mais aceita para a ligação entre o sinal de Frank e a aterosclerose envolve o processo de envelhecimento vascular. Estudos de autopsia revelaram que a área da orelha com a prega apresenta degeneração de pequenos vasos, alterações nervosas e perda de colágeno, mudanças semelhantes às observadas em artérias doentes.

A importância da idade na interpretação do sinal

É importante notar que a relevância do “sinal de Frank” pode variar com a idade. Cardiologistas explicam que, com o envelhecimento natural, a perda de colágeno pode levar ao surgimento da prega mesmo na ausência de doença coronariana. Por isso, o sinal tende a ter menor valor preditivo em idosos.

“Em pacientes abaixo de 60 anos, eu valorizaria mais a presença desse sinal”, afirma o cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho e líder da cardiologia da Rede Américas. Isso sugere que, em pessoas mais jovens, a presença da dobra pode ser um indicador mais forte de risco cardiovascular.

Especificidade e utilidade do sinal de Frank

O “sinal de Frank” possui baixa sensibilidade, o que significa que nem todas as pessoas com doença coronariana apresentam a dobra. No entanto, ele tem boa especificidade, ou seja, quando a prega está ausente, o risco de doença cardiovascular tende a ser menor. A presença do sinal aumenta a probabilidade de doença, mas não confirma o diagnóstico.

Estudos indicam que o valor preditivo positivo do sinal (a probabilidade de ter uma doença cardíaca) pode variar entre 60% e 90%, dependendo da população estudada. A principal utilidade do “sinal de Frank” é, portanto, servir como um gatilho para investigações médicas adicionais. “Se você tem o sinal, isso deve no mínimo te fazer procurar um clínico para fazer uma avaliação adicional”, aconselha Lima.

Outras alterações e o que fazer ao notar o sinal

Além do “sinal de Frank”, existe a prega anterotragal, localizada próxima ao tragus. Um estudo brasileiro da Unesp de Botucatu encontrou uma associação ainda mais forte quando ambas as pregas estavam presentes, elevando o valor preditivo positivo para cerca de 90% de doença coronariana em aproximadamente 45% dos pacientes avaliados.

Essas alterações reforçam a ideia de doença vascular sistêmica. Como a aterosclerose afeta diversas partes do corpo, sinais em locais periféricos, como as orelhas, podem refletir o que está ocorrendo nas artérias do coração, cérebro e pernas. Apesar de não ser um consenso absoluto e a acurácia variar entre estudos, o “sinal de Frank” pode ter valor em saúde pública, incentivando as pessoas a cuidarem melhor de sua saúde.

Perceber o “sinal de Frank” não significa que um infarto acontecerá. A recomendação é buscar avaliação médica, especialmente se houver outros fatores de risco conhecidos, como colesterol alto, diabetes, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardíacas. Exames complementares podem ser indicados para identificar aterosclerose silenciosa e iniciar medidas preventivas.

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