O governo do estado de São Paulo iniciou nesta segunda-feira (23) uma consulta pública visando a concessão à iniciativa privada de dois importantes equipamentos esportivos: o Complexo do Ibirapuera e a Vila Olímpica Mário Covas. A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) receberá contribuições da sociedade civil até o dia 24 de abril.
O objetivo é modernizar e ampliar as atividades oferecidas no Complexo do Ibirapuera, um espaço de quase 92 mil metros quadrados. Para a Vila Olímpica Mário Covas, com 174 mil metros quadrados, a ideia é otimizar a estrutura já existente. O governo afirma que o projeto será acompanhado por órgãos de preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental.
Esta é uma nova tentativa de transferir a gestão desses locais para o setor privado, após uma experiência anterior marcada por controvérsias. A proposta de concessão do Complexo do Ibirapuera já havia sido aprovada na Assembleia Legislativa em 2019, prevendo um contrato de 35 anos e investimento mínimo de R$ 220 milhões. Na época, o argumento era de um prejuízo anual de R$ 10 milhões gerado pelo equipamento.
Histórico de Controvérsias e Novos Planos
A proposta anterior gerou forte resistência, pois incluía a demolição parcial das instalações para dar lugar a áreas comercial, gastronômica, hoteleira e uma arena multiuso. Em dezembro de 2020, a Justiça suspendeu o edital em resposta a uma ação popular. No ano seguinte, o Iphan concedeu tombamento provisório ao conjunto, complicando os planos de intervenção.
A viabilização da concessão do Complexo do Ibirapuera agora depende da conclusão do processo de tombamento e da elaboração de um projeto de intervenção urbana. A Vila Olímpica Mário Covas, inaugurada em 2005, foi cogitada como destino alternativo para infraestruturas que seriam removidas do Ibirapuera, com a promessa de construção de uma pista de atletismo profissional no local.
Desafios na Vila Olímpica Mário Covas
A pista de atletismo da Vila Olímpica Mário Covas, no entanto, tornou-se um símbolo de gestão conturbada. Licitada inicialmente em agosto de 2022 por R$ 40,3 milhões, a obra sofreu aditamentos, rescisão contratual e tentativas frustradas de relicitação, travadas pelo Tribunal de Contas de São Paulo. Um novo convênio de R$ 24,7 milhões foi publicado em novembro de 2025 para a execução do remanescente da obra.
A consulta pública é uma etapa crucial para que a sociedade possa apresentar sugestões e preocupações sobre a concessão. O governo busca, com essa nova abordagem, garantir a modernização e a sustentabilidade desses importantes equipamentos públicos, ao mesmo tempo em que busca atender às demandas de preservação e uso pela população.