Tensões no Oriente Médio: Irã fecha Estreito de Ormuz novamente, EUA mantêm bloqueio e cessar-fogo com Hezbollah é abalado

Tensão global aumenta com fechamento do Estreito de Ormuz e conflitos se intensificam no Oriente Médio.

O Irã anunciou neste sábado (data) que retomou o controle do Estreito de Ormuz, revertendo a decisão de reabrir a crucial via marítima. A medida ocorre em resposta à manutenção do bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos, conforme informado pelo próprio Irã.

A decisão iraniana surge em um momento de alta volatilidade, com o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que o bloqueio portuário americano permanecerá e que ataques podem ser retomados se nenhum acordo for alcançado antes do fim do cessar-fogo atual com o Irã, previsto para a próxima semana.

O presidente Trump classificou a ação iraniana de ‘esperta’, mas declarou que os EUA “enfrentaram” o Irã, em contraste com governos anteriores. A situação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo bruto e gás natural do mundo, reacende preocupações sobre o fornecimento global de energia e a estabilidade dos mercados.

Ataque a petroleiro e reações globais no Estreito de Ormuz

Em um incidente separado, a agência de segurança marítima do Reino Unido, UKMTO, reportou que um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz foi atacado por duas lanchas do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC). Felizmente, não houve feridos.

Este ataque ocorreu horas após o Irã declarar o estreito sob ‘controle estrito’, até que os EUA levantassem o bloqueio naval. A reversão nas declarações sobre a abertura do estreito causou volatilidade, com preços do petróleo caindo e mercados de ações reagindo positivamente à notícia inicial de reabertura, antes do novo fechamento.

Cessar-fogo no Líbano abalado por morte de peacekeeping da ONU

No Líbano, o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, que havia entrado em vigor há apenas um dia, foi abalado pela morte de um soldado francês da Força-Tarefa das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). O presidente francês, Emmanuel Macron, acusou o Hezbollah de ser o responsável pelo ataque, que também feriu outros três soldados.

Macron exigiu a prisão imediata dos perpetradores pelas autoridades libanesas. O Hezbollah negou envolvimento no incidente, que ocorreu durante uma missão de desativação de explosivos. O Primeiro-Ministro libanês, Nawaf Salam, condenou o ato, classificando-o como prejudicial à reputação internacional do Líbano.

Deslocados retornam ao Líbano apesar dos riscos

Milhares de libaneses deslocados pela recente onda de combates começaram a retornar para suas casas na sexta-feira, horas após o início do cessar-fogo com Israel. A medida ocorre apesar dos avisos de autoridades do Hezbollah, do governo libanês e do próprio exército israelense sobre os perigos ainda presentes na região.

A guerra deixou aproximadamente 1,2 milhão de pessoas desalojadas no Líbano, segundo dados da ONU e do governo local. Muitos retornam para avaliar os danos em suas propriedades, enquanto Israel mantém uma zona de segurança de 10 quilômetros de profundidade no sul do Líbano, o que dificulta o retorno total à normalidade.

Trump busca diálogos de paz e alerta Israel

O presidente Donald Trump, que havia elogiado o cessar-fogo como um ‘dia histórico’ para o Líbano, emitiu fortes comentários exigindo que Israel respeite o acordo. Ele declarou que Israel ‘não bombardeará mais o Líbano’ e que qualquer negociação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dependeria do desarmamento do Hezbollah.

Trump também convidou Netanyahu e o presidente libanês, Joseph Aoun, para conversações de paz na Casa Branca. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, saudou o cessar-fogo e apelou pelo respeito total ao acordo, visando uma solução de longo prazo.

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