Tesouro Nacional intervém massivamente no mercado de juros para estabilizar taxas
O Tesouro Nacional promoveu uma nova intervenção no mercado financeiro nesta quarta-feira (18), recomprando R$ 5,4 bilhões em títulos públicos prefixados. A operação, que se soma a ações recentes, visa conter a escalada dos juros futuros, que têm sido pressionados por expectativas de um ritmo mais lento na queda da taxa Selic.
A instabilidade internacional, impulsionada pela guerra no Irã e o consequente aumento do preço do petróleo, tem gerado incertezas na economia brasileira. Essa conjuntura eleva os receios de que a inflação possa acelerar, levando o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.
Essa é a maior intervenção do Tesouro Nacional em mais de uma década, com leilões extraordinários totalizando R$ 49 bilhões nos últimos três dias. A medida busca garantir o bom funcionamento do mercado e a liquidez, especialmente em momentos de estresse, como destacou Luiz Parreiras, gestor da Verde Asset, que vê a operação como meritória para dar suporte ao mercado.
Pressão nos juros futuros e impacto na Selic
O mercado de juros futuros tem reagido com apreensão ao cenário global. A disparada do petróleo eleva o risco de inflação no Brasil, o que pode forçar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo, ou a realizar cortes mais espaçados. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic.
Contudo, as projeções para a decisão do Copom desta quarta-feira já indicam um corte menor, de 0,25 ponto percentual. As intervenções do Tesouro buscam mitigar essa volatilidade, que afeta diretamente as expectativas sobre a trajetória futura da Selic, referência para empréstimos e financiamentos.
Greve de caminhoneiros adiciona incerteza ao cenário econômico
Além das tensões internacionais, a possibilidade de uma greve nacional dos caminhoneiros, articulada para os próximos dias, adiciona mais um fator de pressão ao mercado. A paralisação, motivada principalmente pelo aumento do preço do diesel pela Petrobras, pode gerar impactos fiscais e inflacionários, segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
Essa incerteza sobre a greve voltou a pressionar a curva de juros, mesmo após as operações do Tesouro. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que refletem as expectativas do mercado sobre a Selic e o CDI, encerraram o dia em alta. Por exemplo, a taxa do DI para janeiro de 2027 registrou alta de 4 pontos-base, indo para 14,200%.
O que o Tesouro Nacional está fazendo
O Tesouro Nacional realizou a recompra de 7,6 milhões de títulos prefixados, o que representa 37,9% do total anunciado. A instituição também cancelou as vendas tradicionais de títulos indexados à inflação (NTN-B) e prefixados (LTN e NTN-F) desde segunda-feira (16). Apenas o leilão de títulos indexados à Selic (LFT) não foi suspenso.
As operações extraordinárias do Tesouro buscam, segundo a instituição, garantir o “bom funcionamento” do mercado. A atuação visa a estabilidade e a previsibilidade, fundamentais para a saúde da economia e para as decisões de investimento e consumo da população.