Torcida da Espanha entoa cântico contra muçulmanos em amistoso com Egito: Lamine Yamal reage

Torcida espanhola comete ato xenófobo em jogo contra Egito e choca o mundo do futebol

Um amistoso entre as seleções da Espanha e do Egito, realizado em Barcelona, tomou um rumo lamentável nesta terça-feira (31). A partida, que terminou em 0 a 0, ficou marcada não pelo futebol, mas por **insultos racistas e xenófobos** direcionados aos muçulmanos nas arquibancadas. O episódio gerou forte repercussão e críticas de diversas personalidades.

Cerca de 35 mil torcedores presentes no RCDE Stadium protagonizaram cenas de intolerância. Antes do início do jogo, parte da torcida vaiou o hino do Egito. Durante o primeiro tempo, o coro “quem não pula é muçulmano” ecoou pelas arquibancadas, uma clara manifestação de preconceito religioso.

O sistema de som e os telões do estádio tentaram conter os ânimos com avisos sobre a proibição de atos violentos, xenófobos, homofóbicos e racistas, mas a tentativa pareceu insuficiente para frear a onda de ódio. As informações foram divulgadas pela fonte de conteúdo 1.

Lamine Yamal, astro da Espanha, se pronuncia contra o racismo

Um dos jogadores mais promissores da seleção espanhola, Lamine Yamal, que é muçulmano, foi um dos primeiros a reagir. O jovem atleta do Barcelona foi o único a não dar a volta olímpica para cumprimentar os torcedores ao final da partida. Em suas redes sociais, Yamal classificou os gritos como “intoleráveis”.

“Eu sei que [o cântico] era para a equipe rival e não algo pessoal contra mim, mas como muçulmano não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”, declarou Yamal, acrescentando: “Aos que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um estádio deixa vocês como pessoas ignorantes e racistas”.

Autoridades espanholas condenam os atos de intolerância

O episódio chocou não apenas o mundo do esporte, mas também as altas esferas do governo espanhol. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou os cânticos como “inaceitáveis” e ressaltou a importância da tolerância.

“O episódio de ontem em Cornellà é inaceitável e não deve se repetir. Não podemos permitir que uma minoria que não é cívica manchem a reputação da Espanha, um país plural e tolerante, como sua seleção de futebol e sua torcida”, escreveu Sánchez em suas redes sociais. O ministro da Justiça, Félix Bolaños, também se manifestou, classificando os insultos como “vergonhosos para a sociedade”.

Investigação policial e posicionamento das federações

A polícia regional catalã informou que está investigando os cânticos islamofóbicos e xenofóbicos registrados no estádio. A Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e o técnico da seleção, Luis de la Fuente, também se pronunciaram. De la Fuente pediu o afastamento de “violentos” que usam o futebol como plataforma.

Rafael Louzán, presidente da RFEF, descreveu o caso como um “acidente isolado que não deve voltar a ocorrer”. A Federação Egípcia de Futebol, por sua vez, declarou que o tipo de ação é “completamente inaceitável” e que um esforço conjunto é necessário para erradicá-la, mas ressaltou que o incidente não afetará as sólidas relações entre as federações.

Racismo no futebol espanhol: um problema recorrente

Este lamentável incidente em Barcelona se soma a uma série de outros casos de racismo no futebol espanhol. O atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, tem sido alvo frequente de insultos racistas, incluindo um episódio em que um boneco com sua imagem foi pendurado em uma ponte. Recentemente, cinco torcedores do Real Valladolid foram considerados culpados por crime de ódio por insultos contra o jogador.

Outros jogadores, como os irmãos Iñaki e Nico Williams, também já foram vítimas de racismo em diferentes estádios. A persistência desses atos levanta preocupações sobre a imagem da Espanha, que sediará parte da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos. A imprensa espanhola já especula que esses incidentes podem impactar a organização do torneio e até mesmo a escolha da sede da final.

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