Wilson Marqueti tenta converter ruptura com presidente da FPF em plataforma eleitoral, busca apoio de um clube grande e promete mais representatividade

Wilson Marqueti tenta transformar ruptura com presidente da FPF em plataforma eleitoral, defendendo renovação, fim da concentração de poder e maior representatividade junto aos clubes

Wilson Marqueti Júnior, ex-vice da Federação Paulista de Futebol, anunciou nos bastidores que pretende usar o rompimento com o presidente como base de uma candidatura à presidência da entidade.

Ele afirma ter encontrado apoio entre dirigentes insatisfeitos, inclusive de um dos quatro clubes grandes do estado, mas não divulga nomes até confirmar a chapa.

Marqueti critica a atual gestão por autoritarismo e concentração de poder, e diz que pretende apresentar propostas de renovação e maior representatividade aos clubes, conforme informação divulgada pela Folha e pela reportagem do UOL.

Motivos do rompimento e críticas à gestão

Marqueti, que deixou a vice-presidência em agosto de 2025, disse que se frustrou ao não conseguir implementar projetos vindos do Tribunal de Justiça Desportiva, onde foi procurador-geral.

Sobre a direção da federação, ele afirmou, “A gestão é completamente autoritária e centralizada no presidente” , em declaração à Folha.

O ex-vice também aponta alteração estatutária ocorrida durante uma assembleia de aprovação de contas, que autorizou mais uma reeleição do atual presidente, e afirma que não foi comunicado apesar de estar na linha sucessória.

Rede de apoio e sigilo dos clubes

Desde o rompimento, Marqueti tem conversado com dirigentes em busca de apoios, e garante ter obtido adesões, sem, no entanto, liberar nomes.

Questionado sobre se tem o apoio de ao menos um dos clubes grandes, ele respondeu, “Sim, com certeza” , conforme registro na entrevista à Folha.

Marqueti diz perceber descontentamento tanto na capital quanto no interior, e que os motivos variam conforme os objetivos de cada clube. Ele afirma que muitos clubes sentem falta de representatividade junto à CBF.

Propostas, calendário e combate ao racismo

Sem experiência em cargos executivos no futebol, Marqueti aposta na sua trajetória na área jurídica esportiva para fundamentar propostas administrativas e de governança.

Ele critica a atuação da federação diante de mudanças no calendário promovidas pela CBF e diz que pretende negociar diretamente com a entidade nacional para recuperar protagonismo e calendário mais favorável ao Campeonato Paulista.

Sobre racismo e discriminação, Marqueti defende ações de conscientização e medidas além da punição, citando a necessidade de identificar autores e entender as causas dos atos, com articulação com órgãos públicos e a delegacia especializada no futebol.

Alianças, suspeitas e riscos políticos

Reportagem do UOL ligou a movimentação à influência de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da FPF e da CBF, banido do futebol, mas Marqueti disse ter se surpreendido com a associação e negou tratar a sua possível candidatura como bancada por terceiros.

Ele afirmou não saber se Del Nero está efetivamente envolvido, e ressaltou respeito tanto ao ex-presidente quanto ao atual, lembrando que divergências são institucionais, e não pessoais.

Marqueti quer ainda rever regras que permitem ao presidente definir a data da eleição, apontando conflito de interesses quando quem concorre tem poder para marcar o pleito.

Com a eleição marcada para 2026, mas sem data definida, a movimentação nos bastidores deve se intensificar, e a capacidade de Marqueti de transformar uma ruptura em base eleitoral dependerá da consolidação de apoios e da capacidade de traduzir críticas em propostas claras, capazes de atrair clubes grandes e do interior.

Raio-X, Wilson Marqueti Júnior, 58 anos, é formado em direito, atuou como procurador-geral do TJD-SP e presidiu o Tribunal de Justiça Desportiva do Basquetebol de São Paulo, e deixou a vice-presidência da FPF em agosto de 2025.

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