Banda Cover de Jaú Mantém Viva a Chama dos Mamonas Assassinas: ‘Puro Suco do Brasil’ Que Encanta Gerações

A banda jauense que, mesmo sem ter vivido a febre dos Mamonas Assassinas nos anos 90, presta uma linda homenagem ao grupo, relembrando a hegemonia e o legado do “puro suco do Brasil”.

Não ter vivenciado o furor causado pelos Mamonas Assassinas em meados dos anos 1990 não impediu um grupo de músicos de Jaú, no interior de São Paulo, de trazer de volta ao palco o fenômeno que arrebatou multidões. O grupo, que celebra a irreverência e o talento inconfundível dos Mamonas, mantém viva a memória da banda que teve sua trajetória interrompida tragicamente em 1996.

A banda cover jauense, inspirada diretamente nos integrantes dos Mamonas Assassinas, deu seus primeiros passos em 2015. A iniciativa surgiu após uma apresentação em um festival estudantil, liderada por João Gromboni, hoje com 30 anos. Ao seu lado, estão Fernando Messias e Luan Ragazzi nas guitarras, João Bueno na bateria e Fernando Bovi no contrabaixo. É notável que a maioria desses músicos era apenas uma criança ou sequer havia nascido quando os Mamonas Assassinas explodiram no cenário nacional.

João Gromboni, nascido em 1995, compartilhou em entrevista ao g1 que o contato com a obra dos Mamonas se deu por influência de seu irmão mais velho. “Ele é de 1992 e, no auge da banda, tinha uns 3 ou 4 anos. Como ele viveu um pouco daquela época, sempre que chegava o aniversário da morte deles havia muitas homenagens na TV, no Gugu, no Faustão. Isso marcou a infância dele e acabou marcando a minha também, porque eu ouvia junto”, explicou.

O nascimento de um projeto apaixonado

A ideia de formar uma banda cover surgiu de maneira quase espontânea. A mãe da namorada de João é professora de música em Jaú e, há cerca de 15 anos, organiza audições anuais com seus alunos. Alguns dos atuais integrantes da banda participavam dessas apresentações. João, frequentador assíduo dos eventos, começou a arriscar cantar sucessos como “Pelados em Santos” e “Robocop Gay” durante os ensaios.

A recepção a essas interpretações foi tão calorosa que a decisão foi incluir oficialmente algumas músicas dos Mamonas na audição. João relembra com carinho que foi um “showzaço”, com direito a figurino, fantasias e encenações que remetiam às performances vibrantes e cheias de energia dos Mamonas Assassinas. A experiência foi um grande incentivo para o grupo.

De hobby a legado musical

Pouco tempo depois, o grupo já se apresentava no Festival de Inverno da cidade. O primeiro show oficial, inicialmente planejado para um espaço ao ar livre, precisou ser transferido para o Teatro Municipal devido à chuva. Mesmo sem a casa completamente lotada, João ressalta que a apresentação serviu como um forte impulso para os shows seguintes. “Ali percebemos que deveríamos continuar com o projeto. Foi um hobby, um projeto de que temos muito carinho e uma época que deixa muita saudade”, compartilha.

Atualmente, os integrantes residem em cidades diferentes e não se apresentam com frequência. Contudo, a tradição é mantida com fervor. O grupo se reúne pelo menos uma vez por ano e nunca deixa de participar das audições da professora de música, o local onde tudo começou. Para João, o sucesso dos Mamonas transcende gerações, assim como aconteceu com ele, pois vai muito além das piadas e das letras engraçadas.

A essência atemporal dos Mamonas Assassinas

“O que torna o trabalho deles atemporal é que eles são o ‘puro suco do Brasil’. Tinham um talento musical nítido, mas somado à alegria, diversão e ao carisma no palco. Se você tirar a piada e o humor, as músicas eram muito bem produzidas. Eram músicos excepcionais com ótimas referências”, afirma João.

Ele cita exemplos como “Jumento Celestino” e “Débil Metal”, que habilmente mesclam ritmos tradicionais brasileiros com influências internacionais, como rock pesado, forró e sertanejo. “A identidade brasileira que eles carregavam no palco e aquela alegria caótica tornam o trabalho deles eterno.”

A interrupção abrupta do sonho, com cinco adultos vivendo um auge estrondoso e tendo tudo interrompido de forma trágica, é um fator que contribui para que a memória da banda permaneça viva. “Talvez daqui a 30 anos a gente esteja fazendo a mesma coisa com a Marília Mendonça”, reflete João, comparando o impacto duradouro dos Mamonas com outros ícones da música.

Um memorial para eternizar a memória

O trágico acidente aéreo que ceifou a vida dos Mamonas Assassinas ocorreu em 2 de março de 1996, após um show em Brasília. A aeronave em que viajavam colidiu contra a Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo, quando se dirigia a Guarulhos. Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli faleceram no acidente.

Três décadas após a tragédia, as famílias dos integrantes anunciaram a criação de um memorial ecológico no Cemitério Primaveras, em Guarulhos. Para a concretização deste projeto, os corpos dos Mamonas Assassinas foram exumados no dia 23 de fevereiro. Durante o processo, objetos encontrados sobre os caixões chamaram a atenção, como uma jaqueta de nylon sobre o caixão de Dinho, que permaneceu intacta após 30 anos, e um ursinho de pelúcia sobre o de Bento. Estas peças devem integrar o acervo do futuro memorial, preservando a memória afetiva e o legado inesquecível dos Mamonas Assassinas.

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