Brasil mira feito inédito em Milão-Cortina: a primeira medalha paralímpica de inverno
Após um marco nas Olimpíadas de Inverno com a primeira medalha do país, o Brasil agora volta suas atenções para os Jogos Paralímpicos de Inverno, que iniciam em Milão-Cortina, na Itália. A delegação brasileira, com um número recorde de oito atletas, chega com fortes esperanças de subir ao pódio pela primeira vez na história da competição.
As expectativas são altas, impulsionadas pelo desempenho recente de atletas como os campeões mundiais de esqui cross-country, Cristian Ribera e Aline Rocha. Esta será a quarta participação do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno, que teve início em Sochi, em 2014, com apenas dois representantes.
“Nossa expectativa por resultados históricos é muito alta também nas Paralimpíadas. A chance é real”, afirmou Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) e chefe de missão do Brasil. Conforme informação divulgada pela Folha, Pettersson acrescentou que, se uma medalha vier, “provavelmente vai ser do Cristian Ribera ou da Aline Rocha”.
Cristian Ribera: Aposta forte com histórico de sucesso
Aos 23 anos, Cristian Ribera, natural de Cerejeiras (RO) e criado em Jundiaí (SP), já participará de sua terceira edição paralímpica. Em PyeongChang-2018, aos 15 anos, conquistou o sexto lugar no esqui cross-country, o melhor resultado brasileiro até hoje em Jogos de Inverno.
Ribera se consolidou como um dos principais nomes da modalidade, sendo o primeiro brasileiro a ganhar o Globo de Cristal no esqui cross-country paralímpico, sagrando-se campeão geral da temporada 2024/2025. Recentemente, faturou dois ouros em etapa da Copa do Mundo na Alemanha.
“Estou bastante confiante”, declarou Ribera, que compete nas provas de sprint clássico, 10 km e 20 km do esqui cross-country. Ele nasceu com artrogripose e passou por 21 cirurgias nas pernas. “Vou entrar com tudo para ganhar uma medalha para o Brasil”, prometeu.
Aline Rocha: Pioneirismo e busca por um pódio histórico
Aline Rocha, 34 anos, de Pinhão (PR), foi a primeira mulher brasileira a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, em PyeongChang-2018. Em Pequim-2022, alcançou o sétimo lugar no esqui cross-country.
Em 2023, Aline se tornou a primeira esquiadora brasileira campeã mundial, com ouro na prova de sprint no Campeonato Mundial na Suécia. Ela também conquistou bronze em outras provas no mundial e prata no mundial seguinte na Itália.
“Acredito que vou ter meu melhor desempenho em Milão-Cortina”, disse Aline, que compete no biatlo e no esqui cross-country. Ela acredita que a experiência adquirida com diferentes condições de neve será fundamental para um bom resultado, superando desafios de edições anteriores.
Delegação expandida e novos talentos em Milão-Cortina
Além de Ribera e Rocha, a delegação brasileira conta com três estreantes: Elena Sena e Wellington da Silva, que competirão em esqui cross-country e biatlo, e Vitória Machado, no snowboard. Completam a equipe Guilherme Rocha e Robelson Lula, do esqui cross-country e biatlo, e André Barbieri, do snowboard, que já participaram de Pequim-2022.
A cerimônia de abertura, em Verona, contará com Aline Rocha e Cristian Ribera como porta-bandeiras, embora ambos já estejam em Predazzo, local das competições, e participarão remotamente. A cerimônia também será marcada por protestos de países como Ucrânia e República Tcheca contra a participação de atletas da Rússia e de Belarus.
Os Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina acontecem de 6 a 15 de março, reunindo 665 atletas de 53 países. As principais provas serão transmitidas pelo SporTV. A programação detalhada dos atletas brasileiros foi divulgada, com competições iniciando já no sábado, 7 de março.