No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o Brasil registrou mais de 25 milhões de passageiros internacionais, as rotas Brasil-Argentina cresceram 42% e somaram 4,12 milhões
O tráfego aéreo internacional no Brasil atingiu um novo patamar, com destaque para o aumento de viagens entre Brasil e Argentina.
A alta nas rotas com o país vizinho, combinada com expansão de rotas e promoções, puxou o recorde de passageiros nos primeiros 11 meses de 2025.
Os números e análises a seguir foram apurados a partir de informações da Anac e de levantamentos citados pela Folha, conforme informação divulgada pela Folha com base em informações da Anac.
Por que a Argentina virou motor do crescimento
O principal destaque foi a rota entre Brasil e Argentina, que movimentou mais de 4,12 milhões de pessoas, quase alcançando as conexões com os Estados Unidos, que somaram 4,15 milhões.
Segundo os dados, o tráfego com origem ou destino na Argentina registrou um salto de 42% em relação ao mesmo período de 2024, o que representa 1,2 milhão de passageiros a mais nessa rota.
Entre as razões para o aumento está o câmbio favorável, que tornou hospedagem, alimentação e serviços no Brasil mais baratos para argentinos, e preços de turismo nacionais competitivos em dólar.
O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, destaca que, “Os hotéis, a alimentação, os serviços brasileiros estão mais competitivos em dólar.” Ele acrescenta que, “O custo da tarifa aérea e a similaridade entre os idiomas português e espanhol também influenciam a decisão dos argentinos.”
Depoimentos ilustram a tendência, como o da pesquisadora Paula Teijeiro, 39, “Escolhemos Florianópolis pois precisávamos de um destino confortável para viajar com nosso bebê de um ano. O preço era razoável, e as praias eram muito bonitas”, e da motorista de aplicativo Veronica Maer, 43, “Até então, só havia ido ao Brasil na década de 1990, quando a nossa moeda também estava valorizada. Nos últimos dois anos, tive uma sensação parecida, de encontrar muitos argentinos viajando pelo mundo para aproveitar o câmbio.”
Companhias ampliam voos e ajustam malha para 2026
As aéreas brasileiras demonstraram otimismo com o mercado argentino e ampliaram ofertas. Em dezembro de 2025, a Gol tinha 21 rotas entre o Brasil e a Argentina, com quatro destinos e cinco aeroportos no país vizinho.
A Gol opera destinos como Buenos Aires, Mendoza, Córdoba e Rosário, e liga esses pontos a 12 capitais brasileiras e a Porto Seguro, e prevê que, “Até 2029, a Gol estima que 25% da malha aérea seja composta de voos para o exterior, patamar hoje de 18%.”
A Latam inaugurou duas rotas na virada do ano, uma que começou a operar em 30 de dezembro ligando Guarulhos a Rosário com quatro voos semanais, e outra que liga Florianópolis a Buenos Aires (Ezeiza) com sete frequências semanais.
A Azul operou rotas sazonais entre junho e agosto do ano passado para Bariloche e Mendoza, e informou que foram realizados no período 146 voos de/para Bariloche e 60 para Mendoza, com boa ocupação e expectativa de manutenção das rotas.
Impacto no turismo e os desafios pela frente
O aumento das rotas e passageiros elevou o número de destinos conectados ao Brasil, com 180 rotas internacionais até novembro e 34 países com voos para o país nos 11 primeiros meses de 2025.
Apesar da evolução, especialistas alertam que o potencial turístico ainda está subaproveitado por limitações de infraestrutura e oferta hoteleira em alguns destinos.
Adalberto Febeliano, especialista em aviação civil, resume: “Não adianta ter uma praia maravilhosa se não tem um hotel ou uma pousada com conforto pra ficar nessa praia.”
O crescimento traz oportunidades para receptivo e economia local, mas também exige investimentos em acomodação, serviços e conectividade para sustentar o fluxo e ampliar ganhos nos próximos anos.
Perspectivas para 2026
Com a demanda em alta e as companhias ajustando a oferta, o mercado internacional deve seguir aquecido, embora variações cambiais possam alterar o ritmo de viagens de argentinos ao Brasil.
Para os operadores e destinos brasileiros, o desafio é transformar o fluxo em receita e desenvolver infraestrutura que atenda ao aumento de turistas no curto e médio prazo.
Os números citados refletem o desempenho até novembro de 2025, e permanecem como referência para o planejamento do setor aéreo e turístico em 2026.