Chinalco e Rio Tinto Disputam Liderança no Alumínio Brasileiro com Acordo Bilionário pela CBA

Chinalco e Rio Tinto se unem para adquirir CBA por R$ 4,7 bilhões, consolidando presença no mercado brasileiro de alumínio.

Um acordo histórico foi anunciado nesta quinta-feira (29), envolvendo a gigante chinesa de alumínio Chinalco e a mineradora australiana Rio Tinto. As empresas selaram um pacto de R$ 4,7 bilhões para a aquisição da participação da Votorantim na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

A transação abrange os 68,6% detidos pela Votorantim na CBA e prevê a criação de uma nova joint venture no Brasil. Esta nova entidade será majoritariamente controlada por uma subsidiária da Chinalco, com 67% das ações, enquanto a Rio Tinto ficará com os 33% restantes.

A operação, conforme comunicado ao mercado pelas companhias, também incluirá uma oferta pública para adquirir as ações remanescentes da CBA que estão em circulação no mercado. A intenção inicial é que esta oferta ocorra simultaneamente ao cancelamento do registro da CBA na Bolsa de Valores, embora essa estratégia possa ser reavaliada após a conclusão da aquisição das participações majoritárias. A notícia já havia sido antecipada pela Reuters, que divulgou mais cedo o iminente acordo entre as empresas. Conforme informação divulgada pelas companhias.

Preço e Prêmio da Aquisição da CBA

O valor base estabelecido para a transação é de R$ 10,50 por ação da CBA. Este valor representa um prêmio de aproximadamente 21,15% em relação ao preço médio das ações da companhia nos 20 pregões anteriores à assinatura do acordo. O papel da CBA fechou o pregão desta quinta-feira cotado a R$ 10,35, indicando uma forte valorização percebida pelas compradoras.

Interesse e Concorrência no Setor

O processo de venda da participação da Votorantim na CBA também atraiu o interesse de outros grandes players do mercado global. A Emirates Global Aluminium (EGA), sediada nos Emirados Árabes Unidos e controlada por fundos soberanos de Abu Dhabi e Dubai, chegou a negociar, mas os tratos não avançaram, abrindo caminho para a Chinalco e Rio Tinto.

Aprovacões Regulatórias e Estrutura da CBA

O negócio, que representa um marco significativo para o setor de alumínio no Brasil, ainda depende de aprovações regulatórias. Serão necessárias as autorizações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Câmara Brasileira de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A CBA, fundada em 1941, é uma empresa com vasta experiência e infraestrutura robusta. Opera três minas de bauxita, com produção anual de cerca de 2 milhões de toneladas, e tem capacidade de alumina de 800 mil toneladas por ano. Além disso, a empresa possui controle ou participação em 21 usinas hidrelétricas e quatro eólicas, totalizando uma capacidade instalada de 1,6 gigawatts, o que garante sua autossuficiência energética, um diferencial competitivo importante.

Chinalco e Rio Tinto destacaram que a CBA, como a empresa de alumínio mais antiga do Brasil, apresenta vantagens essenciais, como autossuficiência em recursos, geração estável de energia limpa e um forte valor de marca, fatores que fomentam vantagens competitivas sustentáveis e potencial de desenvolvimento.

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