Dario Durigan ganhou o apelido de “CEO” da Fazenda, lidera a secretaria-executiva interinamente e é apontado como principal cotado para substituir Fernando Haddad, entre elogios e críticas
Dario Durigan é visto dentro do Ministério da Fazenda como a peça que faltava para dar agilidade à máquina, organizando fluxos, delegando tarefas e centralizando informações.
Ele lidera a pasta interinamente durante as férias do ministro Fernando Haddad, e aparece como o principal cotado para sucedê-lo, além de ser encarado por aliados como quem dá andamento prático às pautas do ministério.
As informações reunidas pela reportagem descrevem tanto elogios a seu estilo, quanto críticas à composição da equipe e ao ritmo de cobrança, conforme informação divulgada pela Folha.
Trajetória, formação e chegada à Fazenda
Dario Durigan, 41 anos, é natural de Bebedouro e cresceu em Jaboticabal, no interior de São Paulo, formou-se em Direito pela USP e tem mestrado pela UnB.
Ingressou na AGU em 2010 e trabalhou na SAJ da Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff, onde teve os primeiros contatos com Fernando Haddad, então ministro da Educação.
Durigan passou pela Prefeitura de São Paulo ao lado de Haddad, atuou como diretor de políticas públicas no WhatsApp e, após remover impedimentos pessoais entre março e abril de 2023, foi convidado por Haddad para integrar a Fazenda, sendo anunciado publicamente no início de maio e assumindo a secretaria-executiva em junho de 2023.
Estilo de gestão, papel prático e gosto do presidente
Batizado de “CEO” do ministério, Durigan é valorizado por organizar rotinas, cobrar prazos e transitar entre o técnico e o político.
Quem convive com ele diz que ele delega, centraliza informações e, quando necessário, despacha diretamente com o presidente Lula, e que, segundo interlocutores, o secretário “caiu no gosto do chefe”.
Mais de uma fonte afirma que Durigan já é o “ministro de fato”, no sentido de colocar em prática agendas da pasta, embora ele mantenha distância regulamentar da disputa pelo posto e demonstre lealdade a Haddad.
O deputado Doutor Luizinho, do PP-RJ, resumiu a avaliação de parte do Congresso, afirmando, “Considero um dos melhores, se não for o melhor quadro do governo federal. Preparado, seguro, corretíssimo em todas as discussões com a Câmara, principalmente nas negociações dos projetos de lei e medidas provisórias, com uma capacidade administrativa e visão do país como poucas vezes vi em alguém no setor público”.
Conquistas, negociações e reveses
Na agenda técnica, Durigan se empenhou em medidas de destaque do governo, como a reforma tributária do consumo e o imposto mínimo para a alta renda, e na aprovação do projeto que corta benefícios fiscais e aumenta tributos sobre setores como as casas de apostas.
Em negociações, seu protagonismo foi percebido por lideranças, e a atuação prática dele em votação de propostas foi interpretada por alguns como uma passagem simbólica do bastão de Haddad.
Nem sempre, porém, o pragmatismo foi suficiente, e houve reveses marcantes. A medida provisória enviada em 4 de junho de 2024, que restringia uso de créditos de PIS/Cofins para reduzir tributos, foi devolvida pelo Congresso uma semana depois, sem ser analisada.
Outro episódio delicado foi a edição do decreto do IOF em maio de 2025, que gerou atritos com o Congresso e com o Banco Central, então comandado por Gabriel Galípolo, e acabou sendo enxugada.
Críticas internas e composição da equipe
Apesar dos elogios, há críticas à forma como Durigan estruturou sua equipe, em um governo que defende maior representatividade de mulheres e minorias.
De 32 pessoas vinculadas diretamente a ele, entre subsecretários, assessores, gerentes e coordenadores, apenas nove são mulheres, e só uma é subsecretária, as demais ocupam cargos inferiores na hierarquia.
Fontes ouvidas pela reportagem apontam que o estilo “CEO” também gera tensões, especialmente quando ele cobra manifestações rápidas da burocracia para fundamentar atos de governo, embora colegas ressaltem que ele costuma ouvir técnicos, mesmo quando a posição final contraria áreas.
O próprio secretário costuma responder a críticos que exigir agilidade é a maneira de garantir que o rito formal seja cumprido, e que persistência foi crucial para avanços, mesmo após derrotas.
O que está em jogo e os próximos passos
Durigan lidera interinamente o ministério durante as férias de Haddad, até o dia 11 de janeiro, e o titular já disse que pretende deixar o cargo “até fevereiro” para ajudar na campanha de reeleição de Lula, embora petistas queiram que Haddad dispute um cargo eletivo em 2026.
No Congresso, Durigan é visto como alguém que delimita com clareza até onde parlamentares podem ir ao propor mudanças, especialmente quando há impacto nas contas públicas, postura que reforça sua imagem técnica e política ao mesmo tempo.
Com elogios, críticas e episódios que testaram sua capacidade de articulação, o futuro de Dario Durigan na Fazenda segue sendo acompanhado de perto por parlamentares, integrantes do governo e pelo próprio presidente, em um momento em que decisões e negociações ganham peso no calendário político e econômico do país.