Dólar opera com cautela e investidores monitoram conflito entre EUA e Irã, impactando mercados globais e o petróleo
O dólar abriu próximo da estabilidade nesta sexta-feira (24), com as negociações entre Estados Unidos e Irã novamente no radar dos investidores. A moeda americana operava em leve queda de 0,03%, cotada a R$ 5,003 às 9h09. No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, recuava 0,19%, atingindo 98,64 pontos.
Na véspera, o dólar encerrou o dia com alta de 0,59%, voltando a fechar acima dos R$ 5, a R$ 5,003. Esse movimento foi impulsionado pelo aprofundamento das tensões entre EUA e Irã, que aumentaram a cautela dos investidores e geraram aversão ao risco nos mercados.
A Bolsa brasileira também sentiu o impacto, recuando 0,78% e fechando em 191.378 pontos. A última vez que o dólar havia fechado acima dos R$ 5 foi em 10 de abril, indicando a significativa volatilidade recente.
Volatilidade no câmbio e o impacto do petróleo
O pregão de quinta-feira foi marcado por forte volatilidade. Durante parte do dia, a alta do petróleo chegou a fortalecer o real, levando o dólar a uma mínima de R$ 4,940, com queda de 0,67%. Contudo, a reversão do otimismo no período da tarde, com o aumento das tensões no Oriente Médio, impulsionou a busca por ativos de segurança, como o dólar.
Essa dinâmica é explicada pela relação do Brasil com o mercado de petróleo. Como exportador, o país se beneficia da alta do insumo, tanto pelo fluxo de investimentos estrangeiros quanto pela balança comercial. No entanto, o movimento global de busca por proteção tende a pressionar os ativos domésticos.
EUA e Irã trocam ameaças e ações no Estreito de Hormuz
As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a escalar. O presidente americano, Donald Trump, afirmou não sentir pressão para encerrar o conflito, mas alertou que “o relógio está correndo” para Teerã. Ele também declarou ter ordenado que a Marinha dos EUA “atire e mate” qualquer barco iraniano que coloque minas no Estreito de Hormuz, enfatizando o controle americano sobre a região.
Em resposta, meios de comunicação iranianos relataram explosões na capital do país, com a agência estatal Irna informando sobre disparos da defesa antiaérea contra “alvos hostis”. Uma fonte israelense, no entanto, negou a responsabilidade do exército de seu país pelas supostas ofensivas.
Bloqueios marítimos e a escalada do conflito
Teerã e Washington têm se envolvido em bloqueios do tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, passagem crucial para cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). Na quarta-feira (22), a Guarda Revolucionária do Irã anunciou a retenção de dois navios-petroleiros que tentaram atravessar o estreito sem autorização.
Nesta quinta, os EUA abordaram um navio com petróleo iraniano no Oceano Índico. Até o momento, o Pentágono informou ter impedido o trânsito de 31 navios desde o início do embargo, em meados de abril. As tensões no Oriente Médio refletiram em uma maior aversão ao risco nos mercados globais.
Mercados reagem à instabilidade e analistas apontam incertezas
O preço do petróleo Brent, referência mundial, subiu 3,94% nesta quinta-feira, chegando a US$ 105,93 o barril, a maior cotação desde 7 de abril. As Bolsas no exterior também recuaram, com os índices americanos S&P 500, Nasdaq e Dow Jones caindo entre 0,36% e 0,89%, e o índice europeu Euro Stoxx 50 em queda de 0,19%.
Analistas como Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destacam que a percepção geral é de que o impasse no Oriente Médio está longe de uma resolução definitiva. “Enquanto não houver sinal concreto de distensão entre EUA e Irã e normalização do fluxo em Hormuz, o mercado tende a continuar alternando entre alívio e proteção”, afirma.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, vê a reversão do avanço do real frente ao dólar ligada às incertezas do conflito. “Ainda não está claro se o cessar-fogo vai se manter, se haverá continuidade nas negociações ou se podemos ver uma resolução mais próxima do conflito”, avalia.