Conheça as novelas de Manoel Carlos, da primeira Helena em Baila Comigo, passando por Por Amor e Mulheres Apaixonadas, até Em Família, que encerrou sua carreira
Manoel Carlos, conhecido como Maneco, teve sua carreira marcada por histórias intimistas, conflitos familiares e personagens femininas fortes.
Ao longo de décadas, suas tramas transformaram a chamada vida comum em drama de horário nobre, dialogando diretamente com o cotidiano do público.
Esta reportagem relembra as novelas mais emblemáticas e as protagonistas chamadas Helena, apontando os temas centrais de cada obra.
conforme informação divulgada pelo g1.
Início e primeiras Helenas, Baila Comigo e Felicidade
Baila Comigo, exibida em 1981, marcou a primeira vez em que Manoel Carlos apresentou ao público uma protagonista chamada Helena. Vivida por Lilian Lemmertz, a personagem era mãe de gêmeos separados no nascimento, criados em realidades opostas e sem saber da existência um do outro, e o possível reencontro entre os irmãos conduzia a trama.
Felicidade, de 1991, trazia novamente uma Helena, interpretada por Maitê Proença, e girava em torno do desejo de ser feliz em meio às pressões sociais, afetivas e morais, reforçando a marca do autor em tratar o amor como campo de conflito.
Dilemas familiares intensos, História de Amor e Por Amor
História de Amor, exibida em 1995, aprofundou os dilemas entre mães e filhas, com Regina Duarte vivendo Helena, que enfrenta a gravidez precoce da filha Joyce, interpretada por Carla Marins.
Em 1997, Por Amor trouxe um dos enredos mais lembrados do autor, em que a mãe troca seu bebê saudável pelo neto que nasce morto, sem que a filha saiba, decisão que dividiu o público e provocou amplo debate moral.
Laços, engajamento social e Mulheress Apaixonadas até Páginas da Vida
No ano 2000, Laços de Família teve Vera Fischer como Helena e ganhou força ao mostrar o sacrifício de uma mãe que abre mão de um grande amor para salvar a filha, diagnosticada com leucemia, e a cena de Camila raspando a cabeça virou marco da TV brasileira.
Mulheres Apaixonadas, exibida em 2003, ampliou o alcance social das novelas de Manoel Carlos, com Cristiane Torloni como Helena, e abordou violência doméstica, homofobia, abandono de idosos e relações abusivas, gerando debates públicos na época.
Em Páginas da Vida, de 2006, o autor colocou em foco a rejeição de uma criança com síndrome de Down pela própria avó, e a disputa pela guarda trouxe à tona discussões sobre inclusão social.
Rupturas e despedida, Viver a Vida e Em Família
Viver a Vida, exibida em 2009, marcou uma ruptura simbólica, pois pela primeira vez a Helena foi interpretada por uma atriz negra, Taís Araújo. A novela também abordou superação e deficiência física, ao acompanhar a trajetória de Luciana, que fica tetraplégica após um acidente.
Em Família, última novela de Manoel Carlos, foi exibida em 2014 e apresentou a última Helena, vivida por Julia Lemmertz. Amor, obsessão, ciúme e repetição de padrões familiares conduziram a narrativa, encerrando a carreira de um autor que transformou dramas íntimos em grandes histórias nacionais.
Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 91 anos, após enfrentar complicações provocadas pela Doença de Parkinson, seu quadro motor e cognitivo teve agravamento nos últimos meses, e ele estava sob cuidados médicos especializados, segundo as informações recebidas.