Retorno das petrolíferas à Venezuela condicionado a licenças, garantias legais e apoio financeiro de Trump, dizem CEOs da Exxon, Shell, Chevron

Executivos das maiores petrolíferas afirmam estar prontos a avaliar o retorno das petrolíferas à Venezuela, mas condicionam investimentos a licenças, garantias legais e apoio financeiro dos EUA

O encontro na Casa Branca reuniu líderes do setor petrolífero para discutir como retomar operações na Venezuela, após a captura do ditador Nicolas Maduro e diante da pressão do presidente Donald Trump.

As empresas dizem que podem avaliar ou retomar investimentos, mas pedem mudanças contratuais, segurança jurídica e, possivelmente, apoio financeiro de Washington para reduzir riscos.

As informações foram levantadas junto a executivos presentes na reunião na Casa Branca, conforme informação divulgada pelos executivos e pela Casa Branca.

O que as empresas exigem para o retorno das petrolíferas à Venezuela

Os CEOs deixaram claro que qualquer desembolso dependerá de licenças dos EUA, de garantias legais e de apoio financeiro, em especial se instituições como o Export-Import Bank tiverem de participar do financiamento.

O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, disse que a empresa “vê como possível um retorno à Venezuela” e pode enviar uma equipe técnica nas próximas semanas, mas alertou que o país está “ininvestível”. Woods afirmou, “Nós entramos na Venezuela pela primeira vez nos anos 1940 e tivemos nossos ativos confiscados duas vezes”, e acrescentou, “Para entrar uma terceira vez, seriam necessárias mudanças muito relevantes em relação ao que vimos historicamente e ao estado atual do país.”

Citações diretas e posições de Trump e dos executivos

O presidente Trump prometeu oferecer garantias ao setor, sem detalhar o mecanismo, e disse que a Venezuela já entregou “30 milhões de barris de petróleo aos EUA”.

Trump também pressionou as empresas durante a reunião, afirmando, “Se não quiserem entrar, me avisem, porque há 25 pessoas que não estão aqui que poderiam tomar seus lugares”.

Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, destacou que bancos americanos, incluindo o Export-Import Bank, podem precisar participar do financiamento. Harold Hamm, da Continental Resources, afirmou otimismo, mas se recusou a prometer investimentos imediatos.

O CEO da Shell, Wael Sawan, disse que a empresa está pronta para avançar e possui “alguns bilhões de dólares em oportunidades na Venezuela para investir, caso receba licenças dos EUA”. Ele lembrou que, “Quando saímos, nos anos 1970, por causa das nacionalizações, tínhamos uma produção de 1 milhão de barris por dia”, e declarou estar “pronto para avançar e ansioso pelos investimentos, em apoio ao povo venezuelano.”

Capacidade de produção, números e prazo de retorno

Na reunião, a Chevron afirmou que pode elevar em 50% a produção de suas operações atuais na Venezuela em até dois anos, e se comprometeu a fazer mais investimentos. O vice-presidente Mark Nelson afirmou que a empresa mantém hoje cerca de 3.000 funcionários em quatro joint ventures no país.

Segundo Nelson, ao longo dos últimos cinco a sete anos a Chevron conseguiu elevar a produção de aproximadamente 40 mil barris por dia para cerca de 240 mil barris diários, evidenciando um potencial de recuperação se houver garantias e estabilidade.

Executivos reforçam que, se “analisarmos os marcos legais e comerciais existentes hoje na Venezuela, ela é inviável para investimento”, portanto, mudanças nos contratos comerciais, no sistema legal e nas leis de hidrocarbonetos são vistas como pré-requisito para qualquer retorno.

Em resumo, o retorno das petrolíferas à Venezuela depende, segundo os próprios CEOs, de um conjunto de garantias e ajustes legais, de licenças claras por parte dos EUA e, possivelmente, de suporte financeiro ou de crédito para viabilizar investimentos em um ambiente que hoje classificam como de alto risco.

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