Trump diz que suspendeu novos ataques à Venezuela após libertação de presos políticos na Venezuela, cita cooperação, mantém navios no Caribe e promete investimentos bilionários

Trump anuncia cancelamento de nova onda de ataques à Venezuela após gesto do regime que libertou presos políticos na Venezuela, mas mantém mobilização naval e cita aporte de US$ 100 bilhões

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que decidiu suspender novos ataques contra a Venezuela depois que o regime anunciou a libertação de presos políticos, movimento que, segundo ele, indica busca pela paz.

Trump disse ainda que a cooperação entre Washington e Caracas está em curso, e que, por isso, a segunda onda de ataques prevista foi cancelada, embora as forças militares enviadas ao Caribe permaneçam para garantir ordem e proteção.

A liberação inclui ativistas e opositores, entre eles a ativista Rocío San Miguel, e, segundo a ONG Foro Penal, ao menos cinco pessoas foram soltas, em medidas descritas pelas autoridades venezuelanas como um gesto de paz.

Conforme informação divulgada pela ONG Foro Penal e por declarações do presidente Donald Trump.

O que disse Donald Trump

Em postagem na rede social Truth, Trump afirmou, traduzindo sua declaração, “A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de que está buscando a paz“, e acrescentou, “Por essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques prevista“.

Em outra publicação, o presidente explicou que, “Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que era anteriormente esperada, a qual tudo indica não será necessária“, e ressaltou que os navios de guerra no mar do Caribe permanecerão em posição para garantir ordem e proteção.

Trump também declarou que, como resultado das ações no país, ao menos US$ 100 bilhões seriam investidos na Venezuela por grandes empresas do setor petrolífero, e que ele se reuniria com representantes dessas companhias na Casa Branca ainda nesta sexta-feira.

Quem foi libertado e números citados

Segundo a ONG venezuelana Foro Penal, ao menos cinco pessoas foram soltas. Entre os libertados está a ativista Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania venezuelana e espanhola, e foi presa em fevereiro de 2024 ao tentar deixar o país, estando detida no Helicoide, prisão classificada por organizações de direitos humanos como “centro de tortura” da ditadura.

Outros quatro libertados estavam no presídio El Rodeo, de acordo com a Foro Penal. Também foi solto o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, detido após denunciar irregularidades nas eleições de 2024, que deram um terceiro mandato a Nicolás Maduro, apesar de evidências de fraude.

A ONG Foro Penal estima em 806 os presos por motivos políticos na Venezuela, incluindo 175 militares, 105 mulheres e um adolescente. A organização Justiça, Encontro e Perdão, por exemplo, contabilizou mais de mil presos políticos no país em novembro do ano passado.

Contexto político e militar

O anúncio das liberdades foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina Delcy Rodríguez, que disse que a decisão foi um “gesto unilateral de paz“, e que não teria sido acordada com nenhuma outra parte.

As primeiras liberações ocorreram depois que Delcy Rodríguez assumiu a liderança após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA no sábado, dia 3, segundo as informações divulgadas, e ambos estariam presos em Nova York.

Apesar do cancelamento da nova onda de ataques, a mobilização militar na região deve continuar, conforme declarou Trump, com navios de guerra mantendo-se no mar do Caribe para garantir ordem e proteção, indicando que a situação seguirá monitorada.

Implicações e próximos passos

A liberação de presos políticos na Venezuela, ainda que limitada até agora, pode ser vista por Washington como um sinal de abertura para negociações mais amplas, e a promessa de investimentos bilionários em petróleo reforça o interesse econômico na estabilidade do país.

Resta saber se as medidas do regime continuarão e se a libertação de um pequeno grupo se transformará em uma mudança sustentável, enquanto organizações de direitos humanos mantêm relatos de detenções arbitrárias e acusações de terrorismo, conspiração e traição à pátria contra opositores.

As próximas ações a acompanhar são as reuniões anunciadas na Casa Branca com empresas do setor petrolífero e movimentos das forças navais no Caribe, que podem definir se a suspensão de novos ataques será mantida ou revista nos próximos dias.

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